
Seniores e cães de Ílhavo passeiam-se uns aos outros
Não é fácil proferir uma frase sem solavancos enquanto se segura pela trela um cão de médio porte que não se quer sentir tolhido e quer correr e saltar e libertar energia. Maria Gomes, uma antiga empregada de escritório de 65 anos, tem o Xerife preso por uma correia de tecido com um metro de comprimento e vai sendo arrastada a cada puxão mais enérgico do animal. «Reformei-me no ano passado [puxão] – pára Xerife – e como sempre gostei muito de animais [puxão] – está quieto Xerife – decidi começar a participar nesta iniciativa», diz a mulher enquanto tenta controlar o ímpeto do cão. A cada arrancada do Xerife, Maria avança cinco passos numa corrida forçada, antes de conseguir que ele estaque e fique imóvel durante cinco segundos.
Irrequieto e de pelo escuro, o Xerife e outros cães do CROACI - Centro de Recolha Oficial de Animais de Companhia de Ílhavo dispõem de um parque de recreio onde diariamente são postos em liberdade para brincarem, conviverem e aliviarem toda a energia acumulada, explica João Silva, o veterinário municipal.
Mas uma vez por mês o recreio expande-se para fora dos muros do canil. Por iniciativa do projeto municipal Maiores no Ambiente, um grupo de seniores desloca-se ao CROACI na última quarta-feira de cada mês com a promessa de um dia diferente - para eles próprios e para os cães acolhidos nas instalações da Gafanha de Aquém. A cada participante é atribuído um cão e uma pequena matilha de animais é passeada durante meia hora pelas ruas vizinhas por um grupo de idosos inscritos no Fórum da Maior Idade.
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