
«AdCL é hoje, do ponto de vista económico e financeiro, uma empresa mais robusta»
Diário de Aveiro: Se tivesse de resumir o seu mandato em três decisões-chave, quais seriam?
Alexandre Tavares: Em primeiro lugar, foi fazer uma proposta do estudo de viabilidade económica e financeira para o resto da concessão. Ou seja, deixar a AdCL apetrechada com um documento estratégico para gerir os seus próximos anos, nomeadamente um plano de investimentos altamente exigente, que vai ter até 2033, em previsão, de cerca de 316 milhões de euros e, portanto, deixar este instrumento validado pelos acionistas e o caminho preparado para um intenso processo de requalificação de infraestruturas e de equipamentos. Estamos no final de um ciclo em que todas estas infraestruturas estão a necessitar de requalificação. E o grande exemplo é a ETAR do Choupal, em Coimbra, que vai entrar numa grande requalificação, com investimento de 36,8 milhões de euros, deixando-a preparada para novos desafios. E este instrumento serve para organizar e orientar a empresa e a sua consolidação do ponto de vista da sua trajetória. A AdCL foi a primeira empresa do grupo Águas de Portugal a ter esta geração de EVF (Estudos de Viabilidade Financeira) já pronto para ser promulgado. Esta foi uma ambição estratégica. A segunda, foi preparar a empresa para novos desafios organizacionais. Fizemos um conjunto de alterações do que é o organograma funcional da empresa, adaptando-o às novas exigências. Por exemplo, fizemos alterações na direção de compras e logísticas, segregando funções, no sentido de clarificar processos para ganhar também eficiência dos processos.
Dê um exemplo...
Começámos a implementar no final de 2024, mas essencialmente em 2025, aquilo que é um Despacho Central da AdCL. Ou seja, um centro de telegestão onde estamos a monitorizar 24 horas, 365 dias por ano, todo o é desempenho das infraestruturas da AdCL. Recebemos todas as informações de como é que os processos estão a decorrer, qual é o sentido dos níveis dos reservatórios, se o nível de cloro nos reservatórios é o adequado, se os processos e as elevatórias do saneamento estão a funcionar. Isso permite uma resiliência ao sistema e uma capacidade de reação que também permite níveis de otimização e de eficiência. Outras decisões estratégicas foram tomadas consoante as vivências e as necessidades, como aquilo que aconteceu com as tempestades. Até há bem pouco tempo, a AdCL tinha atividades “core” (que é externalizada a um prestador de serviço), nomeadamente no abastecimento e em parte do saneamento. E a COVID-19 tinha-nos demonstrado que o caminho não era por aí. Temos que ter, no quadro da empresa, a capacidade de interagir diretamente com os processos e manter os processos com a qualidade que marca a AdCL e com os níveis de serviço que nós pugnamos. E fomos por esse caminho. Por exemplo, o abastecimento de água à cidade de Leiria, ao município de Leiria, estava com prestador de serviço e considerou-se que isso não era um bom processo. E os mais recentes acontecimentos, como a tempestade Kristin, mostraram a vantagem disto
Para continuar a ler este artigo
nosso assinante:
assinante:










