
De sem-abrigo ao homem “mais bem vestido” de Aveiro
Poucos serão os aveirenses que nunca repararam em Manuel Martins. Um homem de temperamento discreto, mas com um visual que não passa despercebido a ninguém. Veste, por norma, fatos, de cores e padrões pouco convencionais, por vezes de uma só cor, desde os adereços aos sapatos, aposta em chapéus e coletes de seda, com uma irreverência que não é comum, mas que é totalmente assumida. Mas, a verdade é que qualquer tipo de “impressão” que se possa ter do “homem dos fatos”, vistoso e arrojado, ficará sempre muito, muito longe da sua dura história de vida.
Agora com 67 anos de vida e de regresso a Aveiro, a cidade onde fez a sua escolaridade, filho de um militar de carreira e de uma funcionária nos CTT, Manuel Martins carrega uma “bagagem” digna dos fortes, a começar pelo acidente de viação que vitimou toda a sua família (esposa e três filhos), em França, 14 anos depois de casar com a «francesa bonita» por quem se apaixonou na universidade, em Coimbra, no seu terceiro ano do curso de Direito. «Não estava nos planos, mas apaixonei-me perdidamente e resolvi emigrar. Fomos muito felizes, tivemos três filhos, tínhamos uma vida confortável e estável», até ao dia em que uma viagem de regresso a casa, depois de um período de férias, roubou o presente e o futuro. O facto de não estar na viatura ainda tornou a “digestão” da situação mais difícil. «Fiquei eu, a pensar no que ia fazer da minha vida. Não foi fácil», recordava ao Diário de Aveiro, numa entrevista que começa pela forma exótica de vestir e acaba com um “murro no estômago”.
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