
Cuidados Intensivos estão a mudar
A prática de cuidado nas unidades de Cuidados Intensivos e, em particular, nos Serviços de Medicina Intensiva, está a transformar-se. Quem o diz é Júlia Fernandes, enfermeira há 33 anos, 24 dos quais dedicados a este tipo de cuidados, que considera estarem a melhorar ao longo dos anos, tornando-se cada vez mais respeitadores da «dimensão humana» dos cuidados prestados.
A profissional de saúde dinamizou ontem, a convite do Rotary Club de Aveiro, uma palestra intitulada “A Missão Humana do Serviço de Medicina Intensiva: entre o Triunfo da Vida e a Dignidade da Perda”, que decorreu na FNAC, no Fórum Aveiro. Sensibilizar o público para o facto de que nesta prática é preciso mais do que as competências técnicas foi precisamente um dos objetivos da iniciativa. «Um verdadeiro cuidado prestado a uma pessoa numa situação tão fragilizada, sujeita a tratamentos muito invasivos e dolorosos, exige que estas duas componentes - a competência técnica e a competência humana - estejam em equilíbrio, porque só assim se consegue abranger a pessoa como um todo, em todas as suas dimensões».
Júlia Fernandes considera ainda «quebrar a representação social» que muitas vezes existe sobre estes cuidados também é uma prioridade. «Existe a ideia de que estes serviços são muito frios e distantes da pessoa», diz, mas adverte que esta nem sempre é a realidade, escolhendo descrever estes cuidados como «espaços de acolhimento, união e partilha».
Através dos estudos e entrevistas que tem vindo a desenvolver nos serviços de Cuidados Intensivos, a enfermeira conseguiu detetar que, apesar das melhorias registadas, continua a existir aquilo a que chama de «violência simbólica» nos cuidados que os professionais de saúde prestam a estes utentes, objeto de investigação do seu segundo livro publicado, “A construção do Cuidado e da Violência Simbólica em uma Unidade de Cuidados Intensivos - Estudo Inspirado na Sociologia Simbólica de Pierre Bourdieu” (2024). «É um tipo de violência que está naturalizada na nossa prática e nos nossos procedimentos e forma de ser, de que não nos apercebemos», explica.










