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Governo vai decretar um dia de luto nacional pela morte de Lobo Antunes

Primeiro-ministro já tinha evocado António Lobo Antunes, que morreu hoje aos 83 anos, como “uma figura maior da cultura portuguesa”

O Governo aprovou hoje em Conselho de Ministros um dia de luto nacional em homenagem a António Lobo Antunes, que será cumprido no sábado.

"O Governo também propôs ao Presidente da República, que prontamente aceitou, a atribuição do Grande-Colar da Ordem de Camões a António Lobo Antunes", informa uma nota divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro, Luís Montenegro.

Na mesma nota refere-se que o Conselho de Ministros, hoje presidido pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, “aprovou o decreto que determina um dia de luto nacional em homenagem a António Lobo Antunes, que será observado no dia 7 de março de 2026”, no sábado.

De acordo com a lei, cabe ao Governo decretar o luto nacional, “sua duração e âmbito, sob a forma de decreto”.

O luto nacional é declarado pela morte do Presidente da República, do presidente da Assembleia da República e do primeiro-ministro e ainda dos antigos Presidentes da República, bem como “pelo falecimento de personalidade, ou ocorrência de evento, de excecional relevância”.

O primeiro-ministro já tinha evocado António Lobo Antunes, que morreu hoje aos 83 anos, como “uma figura maior da cultura portuguesa”, dizendo que o seu legado deve continuar a inquietar e a inspirar todos.

“Presto muito sentida homenagem a Antonio Lobo Antunes - figura maior da cultura portuguesa. O seu legado é uma crónica da humanidade e da originalidade do olhar português e por isso continuará a inquietar-nos e a inspirar-nos”, escreveu Luís Montenegro, numa publicação na sua conta oficial na rede social X.

O primeiro-ministro expressou ainda, em seu nome e do Governo, “as mais sentidas condolências à família e aos amigos”.

Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, morreu hoje aos 83 anos.

O autor nasceu em Lisboa, em 01 de setembro de 1942, licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa, em 1969, tendo-se especializado em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda.

Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.

O seu primeiro livro, “Memória de Elefante”, surgiu em 1979, logo seguido de “Os Cus de Judas”, no mesmo ano, sucedendo-se "Conhecimento do Inferno", em 1980, e "Explicação dos Pássaros", em 1981, obras marcadas pela experiência da guerra e pelo exercício da Psiquiatria, que depressa o tornaram um dos autores mais lidos em Portugal.

A República Portuguesa condecorou-o com o Grande Colar da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 2004 e, em 2019, com a Ordem da Liberdade. França deu-lhe o grau de “Commandeur” da Ordem das Artes e das Letras, em 2008. Foi Prémio Camões em 2007.

Março 5, 2026 . 12:00

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