
Agricultores alertam para situação «dramática»
António Valente, que tem cerca de 40 vacas em produção em Marinha, Ovar, avisa que a sua exploração «está em risco». «A minha e a de outros colegas meus, que também já estão a falar em fechar as portas», alertou ontem no início de uma marcha lenta de tratores entre Válega e Aveiro, organizada pela União de Agricultores e Baldios do Distrito de Aveiro (UABDA).
O «abaixamento do preço do leite», que já vai em «quatro cêntimos desde janeiro» e pode continuar «até ao princípio do Verão», é um dos problemas do setor, disse, chamando a atenção para as «muitas despesas» a que os agricultores têm de fazer face. «Os combustíveis pelos vistos também vão subir, as rações sobem, os adubos sobem… Tudo sobe, e é sempre o mesmo a pagar esta fatura», lamentou.
Se «a carne ainda se está a aguentar», o leite «neste momento não dá para a despesa» e o recente Acordo de Parceria entre a União Europeia e o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) irá agravar a situação dos agricultores portugueses, nota António Valente.
Carlos Alves, presidente da UABDA, explicou que a manifestação de ontem, em que alguns tratores percorreram a Estrada Nacional 109 entre Ovar e Aveiro, visou «alertar mais uma vez para a situação do setor da agricultura, nomeadamente do leite e da carne», que está a «atravessar dificuldades extremas». A atual conjuntura económica é desfavorável e «as perspetivas de futuro não são boas», assinalou o dirigente, salientando que em Aveiro a situação «começa a ser dramática». Nos últimos anos fecharam 400 explorações de leite na região e os encerramentos poderão continuar no futuro, assumiu o dirigente, pedindo uma atuação mais robusta do Governo. «Se é realmente um setor estratégico, então que o ministro venha ao terreno ajudar os agricultores, que precisam de apoio técnico e financeiro», pediu Carlos Alves. A tutela deve contribuir, disse, para «dar perspetivas de futuro aos agricultores para continuarem e deixarem aos seus filhos os seus negócios de vida». Segundo o presidente da organização distrital, «o mais provável», porém, é «fecharem mais explorações», sendo 2026 um «ano decisivo» para o setor.
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