
«O interior só tem futuro com as pessoas do interior e sem ter de andar de mão estendida»
«O interior só tem futuro com as pessoas do interior e sem ter de andar de mão estendida» aos poderes de Lisboa ou quaisquer outros. A declaração é - quase - o lema que esteve na origem da criação da Associação Ibérica de Turismo do Interior (AITI) e ainda hoje é «uma batalha» por vencer, apesar do caminho feito por uma entidade, criada há quatro anos, para contribuir para a valorização do turismo nas regiões do interior da Península Ibérica, com especial enfoque nos territórios raianos.
«Uma grande batalha», confirma Miguel Martins, presidente da AITI, a propósito, precisamente, das comemorações dos quatro anos da associação, que anteontem juntaram em Castelo Branco, representantes institucionais, entidades de ensino superior, empresários, associações do setor e decisores políticos para uma reflexão conjunta sobre desafios, oportunidades e caminhos de futuro para o turismo do interior... em Portugal e em Espanha.
Isto porque, como sublinha Miguel Martins, «é preciso que se compreenda que só há vantagens na ligação entre os territórios do interior ibérico, e que, por questões geográficas, este território tem muito mais afinidades com Espanha do que com Coimbra ou Lisboa» e isso aplica-se em relação ao turismo, e a todas as vertentes desta “união”, considera.
Para já, e apesar do trabalho realizado pela AITI ao longo dos últimos quatro anos na «venda conjunta» dos dois territórios, «a fronteira está ainda muito vincada» em áreas tão fundamentais como as acessibilidades ou até a saúde, lamenta Miguel Martins, dando como exemplo a dificuldade que tem sido a AITI implementar uma rota da operadora Flixbus, «que ligue Portugal e Espanha, passando por Castelo Branco, Monfortinho, Cárceres e Badajoz». «A Flixbus já deu o “ok”, mas estamos à espera de uma licença há dois anos», diz, admitindo que o projeto contou com o apoio de politécnicos e universidades, mas tem faltado a tal união necessária para que se concretize.
Miguel Martins lamenta, assim, que a AITI se vá sentindo «praticamente sozinha nesta luta» porque falta a união que, sem ter dúvidas, seria fundamental para que estes territórios cheios de potencialidades pudessem afirmar-se e desenvolver-se, em torno do turismo e não só.
«Como é que não há uma união pelo IC31 que está há 50 anos por fazer? Não vale a pena esperar por Lisboa ou por Espanha, são as pessoas do interior que têm de lutar por si e isso ainda não está a acontecer», desabafa, defendendo «um plano estratégico a 10 anos», envolvendo todos no desenvolvimento do território do interior, turístico, mas não só, com ganhos também para todos, em particular para as pessoas e para os próprios territórios.










