
Chegar aos 100 anos e ainda “estar para as curvas"
Ou respondes tu, ou respondo eu», disse, por mais do que uma vez, à filha que, ao longo da conversa com a nossa reportagem, quis ajudá-lo a “puxar a fita do tempo atrás”. Álvaro Ferreira Tavares, que em novo era conhecido por “Álvaro, o bravo” de tão «maroto» que era (imagine-se que nem a primeira classe fez porque, na altura, «só queria brincar» e “fugiu da escola” antes de completar o grau de escolaridade) celebrou, ontem, um século de vida, com muitas histórias para contar. Hoje em dia, já é mais conhecido por “Álvaro, o doceiro”, não tivesse ele sido pasteleiro até aos 60 anos de idade. Em simultâneo, sempre que podia, caçava e pescava, porque «não se dava fechado, era da natureza».
Como seria de esperar, a festa teve lugar naquela que, apesar de ser agora gerida pelas filhas, será sempre a sua Confeitaria Ideal. Aqui trabalhou quase desde sempre (chegou a ser sapateiro e a ajudar numa outra pastelaria oliveirense, mas foi por pouco tempo) e também viveu. «Duas das minhas filhas [que são as que, atualmente, estão à frente do negócio] foram feitas e nasceram aqui, neste compartimento que antes era um quarto [risos]», partilhou o centenário que se destacava das dezenas de pessoas que ali estavam não só pela sua jovialidade contagiante, mas também pela fita azul onde estava escrito “estou de parabéns”. A cidade de Oliveira de Azeméis, em particular quem reside e/ou trabalha na Rua Bento Carqueja, não quis deixar de fazer parte de um acontecimento que ficará para a história.
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