Última Hora
Pub Da Fabrico 20260605
Pub Da Dfis Licenciaturas 20260527
Pub Da Inova Webinar 20260611
Pub

Há um Museu Nacional na Mealhada que nunca deixou de ser uma arrecadação

No Carquejo, à margem da N1, um edifício abandonado ostenta um letreiro do que almejou ser. Trata-se da secção regional do Museu Nacional da Ciência e da Técnica, que não chegou a abrir portas

Tudo começou em outubro de 1925, quando Mário Silva visitou o Conservatoire National des Arts et Métiers, em Paris. O físico e professor universitário, nascido em Coimbra, tinha então 25 anos. «Depois de visitar este conservatório, perguntei com grande surpresa: porque não haverá um conservatório das artes e ofícios em Portugal?», chegou a escrever o académico, discípulo de Madame Curie na capital francesa, nos anos 1920.

Mais de meio século depois, o «sonho de juventude» concretizou-se finalmente, com a inauguração do Museu Nacional da Ciência e da Técnica (MNCT), a 5 de junho de 1976. O objetivo com o projeto, dizia o físico, em declarações à RTP nesse ano, não era o de edificar um museu na «acepção antiga» da palavra. «O interesse é de haver um museu que seja único neste país, onde se concentrem todas as atividades relativas à história da ciência».

A sede em Coimbra não deveria limitar o âmbito nacional do projeto. Para o físico, o museu deveria «servir» todo o país, contando para esse fim com múltiplas «extensões» ou secções regionais. Em Avanca, o MNCT chegou a albergar a Casa-Museu Egas Moniz, então o único prémio Nobel português, hoje pertencente à Câmara Municipal de Estarreja. Já na Mealhada, na antiga estação da mala-posta do Carquejo, o fundador tencionava criar uma secção regional dedicada aos transportes terrestres.

O edifício, à margem da N1, na saída da Mealhada, em direção a Coimbra, tem a forma de “U”, à semelhança de estruturas construídas, há mais de 200 anos, para o mesmo fim. Trata-se de uma das múltiplas estações de muda, outrora pertencentes ao primeiro serviço postal nacional, nas quais repousavam cavaleiros e montadas e onde era articulado o transporte de mercadorias e passageiros. A do Carquejo era a primeira casa de muda a seguir a Coimbra, considerada por Mário Silva uma «casa histórica».

Quando o físico a visitou pela primeira vez, na década de 1970, as instalações pertenciam aos CTT. «Nessa altura apanhei um susto, pensei que tinham adquirido a casa para fazer o Museu da Mala-Posta. Fui a Lisboa falar com a administração e fiquei muito surpreendido quando o senhor administrador me disse que tinham comprado o edifício para fazer uma Casa de Chá». Entretanto esses planos já haviam sido abandonados e Mário Silva lá convenceu a administração, em 1974, a vender o edifício - por 265 contos -, ao MNCT, dando-se início, posteriormente, às respetivas obras de restauro. O objetivo do projeto seria implementar uma reconstituição histórica do primeiro serviço postal português, conhecido com o nome de “Mala-Posta”.

Para continuar a ler este artigo

Se ainda não é
nosso assinante:
Assine agora
Se já é nosso
assinante:
Inicie sessão
Fevereiro 14, 2026 . 09:00

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right