Vinte e cinco anos perdidos
Mas, não menos grave, demonstrou, mais uma vez, que o nosso país não se sabe governar, tanto da parte do Governo como da parte das oposições. Seja porque se tornou óbvio que as infraestruturas do país são de má qualidade e resistem pouco e mal há enorme violência da natureza, mas também porque as oposições, nas suas apressadas críticas ao Governo, não fazem melhor, quer evocando falsos passados, quer criticando os governantes pelas razões erradas. Porque os problemas não se resumem a saber se os ministros foram ou não a correr ver os estragos e consolar as populações, mas em saber prever e prevenir os acontecimentos.
De facto, os nossos problemas são muito vastos e resultam de que quando é verão haver fogos, de quando não chove haver seca e a água ter de ser racionada, ou quando chove haver inundações e quando há muito vento as casas, as fábricas, os telhados e os transportes não resistem. Ou seja, o país não está preparado para nenhum destes acontecimentos, independentemente da cor do Governo em funções e, infelizmente, a classe política nem sequer tem o bom senso de reconhecer que o problema é de todos, consumindo-se em acusações inúteis.
O Partido Socialista em particular, quer pelas suas responsabilidades históricas, quer por ser um partido da área do poder, poderia e deveria reconhecer que os seus últimos oito anos no poder foram caracterizados por uma governação medíocre. Basta recordar o papel que António Costa teve na escolha, aquisição e gestão do SIRESP, que há muito sabemos foi a escolha errada - seria importante conhecer a razão da escolha que tudo indica envolveu corrupção. Mas também a nacionalização da TAP e a opção da bitola ibérica nas novas linhas ferroviárias, erros graves aceites para comprar o apoio do PCP no estabelecimento da geringonça. Mais ainda: a redução das horas de trabalho dos funcionários públicos, quando se sabia não haver pessoal médico suficiente para as necessidades, o que foi o ponto de partida para todos os problemas que passaram a existir no Serviço Nacional de Saúde. Ou o fim atribulado do SEF e a sua demorada substituição, com o mau resultado que se conhece, ou ainda a desmiolada abertura a novos imigrantes, sem o mínimo de capacidade para fazer a gestão da documentação necessária, ou para tratar os imigrantes de forma minimamente decente.
Os Governos de António Costa nunca tiveram um mínimo de noção dos problemas existentes na economia portuguesa, como o excesso de pequenas empresas comerciais, razão maior da baixa produtividade da economia, dos baixos salários e do baixo nível das exportações, por comparação com os outros países da União Europeia da nossa dimensão e igualmente com pequenos mercados internos. Os Governos do PS nunca deram pelos erros do seu modelo económico, ou do seu modelo energético, razão da economia portuguesa ter, desde há vinte e cinco anos, um crescimento anémico e do investimento não ser o mínimo necessário, quer nacional quer estrangeiro. Diga-se também, em abono da verdade, que, até agora, os Governos da AD não fizeram melhor.
Assim, o resultado dos últimos vinte e cinco anos de sucessivos Governos foi de péssima governação e de muita inação, o que criou o capital de queixa que resultou na fundação e no crescimento do novo partido, o Chega, que, aliás, o PS tudo fez para alimentar, na ilusão de enfraquecer o PSD. De facto, quem saiu mais enfraquecido não foi o PSD, mas o PCP e o Bloco de Esquerda, iguais partidos de protesto, com a diferença de André Ventura ser bastante mais eficiente a vender as suas patranhas da extrema-direita ao bom povo desesperado, do que as patranhas vendidas pela extrema-esquerda ao seu próprio povo.







