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A casa que reflete sobre arquitetura afetiva e dissidente

Será no Centro de Arte de Ovar, em abril, que Mariana Sevila e Ruben Carneiro estreiam uma performance que parte da construção de uma casa etérea que questiona o sentido de pertença e identidade

“Quem inventou a partida não sabia o que era amar”, uma criação de Mariana Sevila e Ruben Carneiro, tem estreia anunciada para o dia 17 de abril, no Centro de Arte de Ovar. Depois de duas semanas em residência artística, partilharam com o Diário de Aveiro as alterações que o projeto sofreu no último ano.
Foi em fevereiro de 2025 que a dupla de artistas falava, ao Diário de Aveiro, sobre a sua nova criação, com o fulgor e expetativa de quem cria algo de raiz profundamente transformador. Explicaram que o projeto teria na sua base o conceito de casa como espaço emocional e simbólico onde cabe qua­se tudo, desde pessoas, memórias, sonhos, emoções, mas também crenças, convicções e vontades e tinham como especial referência a tradicional casa alentejana e as suas paisagens, lineares e despidas. Um ano depois, e passados muitos meses de reflexão, maturação, procura de apoios e de “guias” para o desenvolvimento das ideias, Mariana Sevila e Ruben Carneiro admitem algumas alterações, ainda que o essencial se mantenha.
Agora, já com a data de estreia marcada, os criadores explicam que «não se trata de uma peça de teatro, nem um espetáculo de dança», será mais uma performance que promete surpre­ender o público e que vai usar o espaço do Centro de Arte de Ovar como se fosse uma galeria. O conceito da “construção” de uma casa mantém-se, com recurso a painéis de organza e tubos de pvc, aludindo à preca­riedade do setor da habitação em Portugal, sendo que a ausência de texto coloca o espetáculo numa esfera conceptual, muito longe da linguagem teatral convencional.

Trata-se de uma criação multidisciplinar que combina performance e instalação audiovisual para explorar o conceito de “casa” como espaço de memórias, afetos e a ligação profunda às origens. «O projeto desafia a visão convencional da partida como um fim de ciclo, sugerindo que ela está inextricavelmente ligada ao ato de amar, porque é na ausência que o verdadeiro significado do lar e das nossas conexões se revela».

Uma proposta dissidente
Toda a delicadeza da construção, alta­men­te permeável aos sentimentos, permite ao público absorver e interpretar como entender. «Não queremos impor ideias, nem passar mensagens es­tanques», ressal­va Mariana Se­vila, acreditando que ninguém ficará indiferente ao processo de cons­trução da casa. Depois, ca­da um, de acor­do com os seus sentimentos, sensi­bilidade, passado, cultura… fará a sua interpretação. Explicam ainda que, nesta performance, o lar deixa de ser apenas uma construção de paredes e teto, mas «transforma-se num espa­ço emocional, moldado pela luz das lembranças e pelo chão das vivências». Tanto Mariana Sevila co­mo Ruben Carneiro reconhecem que «esta é uma for­ma de arte diferente», mas vão dizen­do que «nem tudo tem de ser “show” e luzes» - «estamos de­ter­minados em criar algo dissidente, provocador e cheio de pos­sibilidades (de interpretação)».
Ao longo do último ano, em que foi possível amadurecer as ideias e procurar apoios, a equi­pa cresceu, o que permite aos criadores concluírem que «o caminho foi o acertado; foi uma jornada de superação», realçam.

Fevereiro 3, 2026 . 14:31

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