
José Estêvão homenageado como figura central do liberalismo
A Associação Cívica de Reflexão e Cultura José Estêvão promoveu, na tarde de ontem, uma homenagem ao destacado aveirense José Estêvão, figura central na luta pela liberdade e pelos ideais liberais em Portugal.
A iniciativa integrou o arranque de um ciclo de conferências intitulado “Aveiro, terra de liberdades”, dedicado à memória das personalidades que marcaram a defesa das liberdades na região de Aveiro. A primeira, intitulada “José Estêvão e o Liberalismo”, decorreu no edifício Atlas e foi antecedida pela deposição de uma coroa de flores no Monumento José Estêvão, situado na Praça da República, junto ao Edifício Atlas.
A homenagem contou com a presença de membros da associação, participantes do evento e representantes do executivo municipal, incluindo o presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Luís Souto.
«Recuperar a memória»
Em declarações à comunicação social, o responsável da associação, João Paulo Marques, explicou que este ciclo de encontros tem como principal objetivo «recuperar a memória daqueles que, em Aveiro e na região, contribuíram para a defesa das liberdades, da igualdade entre as pessoas e do desenvolvimento da região, quer no período liberal, quer ao longo do século XX».
Segundo João Paulo Marques, Aveiro teve historicamente um papel relevante na defesa da liberdade, recordando acontecimentos como a Revolta dos Mártires da Liberdade, em 1828, bem como os congressos democráticos realizados durante o Estado Novo. «Esta cidade foi, muitas vezes, um polo de resistência quando a liberdade era mais difícil de defender», sublinhou.
A escolha de José Estêvão para abrir este ciclo de conferências prende-se com a importância da sua ação a nível local e nacional. Para além da defesa do liberalismo e dos direitos dos cidadãos, José Estêvão esteve diretamente ligado a várias conquistas estruturantes para Aveiro, como a construção do Liceu, hoje Escola Secundária Homem Cristo, a passagem da Linha do Norte pela cidade e as obras de reconfiguração da Barra e do Porto de Aveiro, no século XIX.
Reforçar valores e o orgulho regional
Questionado sobre o futuro do ciclo, João Paulo Marques adiantou que existem muitas outras figuras aveirenses que merecem ser recordadas, entre as quais os “Mártires da Liberdade”, Joaquim José de Queiroz, bem como personalidades do século XX, como Alberto Souto, Mário Sacramento e Jaime de Magalhães Lima.
A associação não define um público-alvo específico para estas iniciativas, mas avança querer «chegar a todas as pessoas interessadas em conhecer melhor a história de Aveiro, pois reforça os valores de cidadania e o orgulho na região», afirmou o responsável, destacando, ainda, a importância de envolver os jovens. «Eles são a sociedade do presente e do futuro, e sem eles o país não avança».











