
Aveiro rende-se hoje a Hamlet, de William Shakespeare
Uma nova abordagem à tragédia de Shakespeare surge do percurso de mais de duas décadas de colaboração entre Marcos Barbosa e Jacinto Lucas Pires, explorando a fusão entre a dramaturgia contemporânea e os clássicos.
O espetáculo assenta num rigoroso trabalho textual, com um elenco que combina experiência e juventude, promovendo um diálogo entre tradição e reinvenção teatral. «Num jogo contínuo entre memória de cena e inovação, este Hamlet investiga temas como o tempo, o poder e a loucura, sustentado por uma visão artística exigente e uma profunda conexão com o público e a comunidade envolvente», avança a sinopse deste espetáculo.
Sete atores em palco
O texto é de William Shakespeare, na tradução de Gualter Cunha (edição Relógio D’Água) e o espetáculo conta com a encenação de Marcos Barbosa e dramaturgia de Jacinto Lucas Pires. A interpretação está entregue a um grupo de sete atores (André Simões, Diana Sousa Lara, João Pires, Marcos Barbosa, Marine Arradon, Teresa Macedo e Tomás Seruca Bravo), enquanto que a cenografia e figurinos cabem a Tzung-Hui Lee.
A componente musical deste “Hamlet” assume grande importância no espetáculo, dando intensidade à narrativa, e é da autoria de Silas Ferreira, com interpretação musical de Aliu Baió.
A tragédia de Hamlet
Escrita no início do século XVII, Hamlet, Príncipe da Dinamarca, permanece como a obra mais influente de William Shakespeare e uma das pedras angulares da literatura ocidental. Mais do que uma história de vingança, a peça é um mergulho profundo nos dilemas da existência, da moralidade e da loucura.
A trama desenrola-se no Castelo de Elsinore, onde o fantasma do falecido rei surge para revelar ao seu filho, Hamlet, que foi assassinado pelo próprio irmão, Cláudio - que agora ocupa o trono e se casou com a rainha viúva, Gertrudes. Diferente dos heróis de vingança tradicionais, Hamlet não age de imediato. A sua característica mais marcante é a procrastinação intelectual. Ele questiona a validade da aparição, a natureza do crime e as consequências éticas do seu ato, mergulhando numa “loucura” (real ou fingida) que desestabiliza toda a corte. Shakespeare explora temas que ressoam até hoje: a incerteza, a dificuldade de distinguir a realidade da aparência, a corrupção, a morte, a condição feminina... |










