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Apesar das suas diferenças, a união entre mordomos prevalece

Ao todo, são 21 os atuais mordomos das Festas de São Gonçalinho e, entre eles, existem largas diferenças de idades e origens geográficas muito distintas. Ainda assim, todos trabalham em conjunto em prol do mesmo fim

Diogo Carvalho foi o único a receber o ramo do pai

Sempre teve ligações com o Bairro da Beira Mar, mas cresceu na cidade de Aveiro. «Joguei no Beira-Mar entre os 8 e os 18 anos», conta o mordomo mais jovem da atual mordomia. Diogo Carvalho tem 30 anos e tinha 29 quando recebeu o ra­mo pelas mãos do seu pai, Jorge Carvalho. «Receber o ra­mo já seria uma coisa especial, mas vindo do meu pai é ainda mais, porque é família», confessa.
Com o Diário de Aveiro, o mordomo partilha que o gosto e interesse pelas festas foram inicialmente moti­vados pelos pais, que in­variavelmente marcam presença nas celebrações. Até ao momento, só Di­go e Jorge Car­valho ti­ve­ram a experiência de passar pela mordomia na família. «A partir
do momento em que o meu pai começou a ser mordomo, teve outro significado para mim estar perto da mordomia e da festa. Comecei a perceber um pouco como funcionam e o trabalho que dá, com muitos fins de semana ocupados, mas é uma responsabilidade boa».
De resto, Diogo Carvalho confessa que a sua própria ex­periência na mordomia «mudou muito» a relação que tem com estas fes­tividades. «Saben­do a­go­ra o tra­balho que dão, se­rá mui­to especial ver o trabalho das outras mor­do­mias». |

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Diogo Carvalho

Diferenças de idade não separam os atuais mordomos

Dos 21 mordomos das Festas de São Gonçalinho, Adelino Augusto e Henrique Cruz são o segundo mais velho e o segundo mais novo, respetivamente. Separam-nos 29 anos e é a primeira vez que ambos têm responsabilidades diretas sobre a organização das festividades. «Quem me passou o ramo foi o meu genro, nunca fui mordomo na vida», conta Adelino Augusto, de 61 anos.
Natural de São João da Pesqueira, o antigo empregado de mesa já vive em Aveiro há cerca de 49 anos. «O Augusto conhece metade das pessoas da cidade e metade da cidade conhece o Augusto», diz Henrique Cruz, de 32 anos, sobre o colega, que durante quase cinco décadas trabalhou na Pastelaria Ramos, na Avenida Dr. Lourenço Peixinho. «Foi o primeiro e único emprego, estive 46 anos lá. Reformei-me em junho des­te ano, por isso é que aceitei ser mordomo, senão era um bocadinho complicado conciliar as duas coisas», admite.
Para o mordomo, as Festas de São Gonçalinho sempre foram especiais e «diferentes» por serem típicas do Bairro da Beira Mar. Sobre as relações com os colegas da mordomia, Adelino Augusto dá conta de que tem sentido muita «harmonia» entre todos. «Há colegas mais novos que têm ideias melhores que as minhas. Esta malta nova domina mais certas coisas, co­mo a informática e a comunicação», explica.
Por outro lado, Henrique Cruz sublinha a «experiência» e a «proximidade» com diferentes entidades, desde a câma­ra municipal aos patrocinadores do evento, como pon­tos fortes dos mordomos mais velhos. Já os mais novos, diz, trazem outras «dinâmicas» de trabalho. «Tentamos arranjar coisas novas para trazer, angariar malta e passarmos esta tradição às pessoas da nossa idade».
Nascido em Coimbra, Henrique veio para Avei­ro com apenas 5 anos e, apesar de considerar que a devoção religiosa está, por norma, mais presente nas gerações mais velhas, o antigo presidente da Associação Académica da Universidade de Aveiro acredita que a vertente cultural e lúdica das festas acaba por atrair o público mais jovem.
Sobre as gerações mais novas assegurarem a continuidade das Festas de São Gonçalinho no futuro, Henrique Cruz não tem dúvidas. «Enquanto a festa for atrativa para os mais novos, a malta jovem vai aparecer. A nossa mordomia é prova de que estamos cá e que vamos continuar: em relação a muitas anteriores, nos últimos vinte anos, somos uma mordomia relativamente jovem». |

Adelino Henrique
Henrique Cruz e Adelino Augusto

Da beira-mar ou da Guarda, mordomos unem-se em torno do mesmo objetivo

Gonçalo
Gonçalo Pacheco

Com 34 anos, Gonçalo Pacheco cresceu no Bairro da Beira Mar, onde os avós têm casas a cerca de cem metros da Capela de São Gonçalinho. «Desde pequenino que vivo a festa e é um orgulho poder ser mordomo e estar com este grupo fantástico», admite, acrescentando que a mordomia vai permitir «retribuir ao bairro» aquilo que este sempre lhe proporcionou.
Ao Diário de Aveiro confessa que, em casa dos seus pais, se «respiram» as festividades durante todo o ano, mas é na rua que se sente melhor. «A arruada de segunda-feira é uma festa indescritível, porque passamos por casas de conhecidos e de amigos. Esse é talvez o momen­to mais emocionante, principalmente para quem é do bair­ro», sublinha.
De longe do bairro vem Ricardo Torres, que chegou a Avei­ro vindo da Guarda, em 2011, para ingressar no ensino superior. Coincidentemente, o ex-estudante, que terminou o doutoramento no ano passado, foi aluno do atual juiz das festas, Osvaldo Pacheco, professor no Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática na Universidade de Aveiro. «É um reencontro bom», admite o mordomo.
Foi na cidade que fez todo o seu percurso académico e conheceu a esposa, uma das responsáveis por lhe incutir o gos­to pelas festas e a devoção a São Gonçalinho. «Não me sinto de todo de fora [do bair­ro]. As pessoas daqui também já me veem como alguém que co­nhe­ce e res­pei­ta as tradições, por isso é que me acolheram», partilha. O «bairrismo» e a proximidade e intimidade que sente entre as pessoas da beira-mar fazem com que se sinta em casa.
«Faz-me lem­brar um pou­co do que era pa­ra mim a minha terra, a­cho que foi o maior motivo para me aproximar mais [do território]».
Apesar das origens distintas dos diferentes mordomos, a equipa garante que tem conseguido manter a coesão e o foco nos objetivos comuns. «Todos os mordomos estão muito relacionados com a festa e o nosso objetivo é torná-la o melhor possível», refere Gonçalo Pacheco. Talvez
por ser do
bair­ro, diz, é dos elementos que mais se bate pelas tradições. «Há outras pessoas que são mais vanguardistas e querem adicionar ou romper com algumas, mas acho que temos chegado a um bom compromisso», ressalva.
Para Ricardo Torres, receber o ramo e vestir o gabão mudaram para sempre a sua relação com o bairro e as festas. «Uma vez mordomo, para sempre mordomo», sustenta, argumentando que por terem contribuído e «dado um pouco de si» para tornar o evento possível, todos os mordomos terão sempre um «carinho» especial pelas festas. É assim, garante, que será quando passar a responsabilidade a outra pessoa.

Ricardo
Ricardo Torres
Janeiro 7, 2026 . 10:45

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