
Pastorinhas de Albergaria voltaram a sair à rua para celebrar a tradição
As “Pastorinhas” voltaram ontem a Albergaria-a-Velha, na terceira edição da nova vida desta «festa católico-profana», feita de animação nas ruas (decorrida no passado sábado), e do desfile de ontem, que também demandou artérias da capital municipal, com destino ao largo da Igreja Matriz.
O Cortejo das Pastorinhas 2026 partiu de três capelas distintas, com cada um dos segmentos a contar com um grupo local a assegurar a animação: da Capela de Santa Cruz veio o Grupo Folclórico Cultural Recreativo de Albergaria, da Capela de São Sebastião, o Grupo Folclórico e Etnográfico de Albergaria-a-Velha e da Capela de São José, os Unidos da Vila Régia. Foi complementado, ainda, com danças e cantares em frente ao templo.
António Almeida, da organização, tinha-nos explicado que a filosofia do evento pede que mais pessoas se juntem à festa e ao cantar das modinhas. Um carro com oferendas seguiu no cortejo, para que as mesmas fossem leiloadas no final, visando arrecadar receita para as obras em curso na Igreja Matriz.
No sábado, as ruas da capital concelhia alegraram-se com a música dos Gaiteiros Os Serralheiros, de Coimbra, e dos Gaiteiros d’Albergaria. «Foi maravilhoso», sublinhou o responsável, prometendo que, em 2027, serão convidados três desses grupos. E logo prometeu – embora sem concretizar - «duas novidades importantes, para ajudar a cimentar esta festa».
Renascida depois de 40 anos de hibernação
Explicou que as origens das Pastorinhas remontam «ao século XV», com nota de que esta tradição foi transferida, no século XVI, para terras do Brasil, onde se mantém «com vitalidade», no Nordeste.
Salientou que ainda é um evento marcante em algumas localidades do nosso país, mas que, no concelho albergariense, esteve a hibernar durante cerca de 40 anos, revelando que renasceu devido ao desafio que lhe lançou o pároco de Albergaria-a-Velha. Assentou ideias e alinhavou colaborações, metendo as mãos ao trabalho, com a primeira edição da nova série a acontecer em 2024.
As receitas arrecadadas foram para ajudar a financiar a intervenção na Igreja local e, com as atividades desenvolvidas desde 1 de novembro de 2024, mais o arrecadado no leilão de ontem, o pecúlio já terá ultrapassado os 40.000 euros.
Refira-se que a edição deste ano do evento teve por lema “A Festa que Abraça”, para agregar as coletividades locais, contribuindo para a divulgação do seu trabalho, nomeadamente junto das novas gerações.
António Almeida não escondeu o sonho de ver crescer a participação popular nas Pastorinhas de Albergaria-a-Velha, para que, como antes, os populares encham o cortejo e também eles assumam as modas e canções identitárias e de cariz religioso. |










