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Aveirenses emigrados na Venezuela reagem a ataque dos EUA

Comunidade lusa espalhada pelo mundo acompanha com preocupação e expectativa a ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela, ocorrida ontem de madrugada. Um dia que poderá marcar uma viragem histórica no país

Os luso-venezuelanos residentes na região de Aveiro acordaram, na manhã de ontem, com a notícia de uma megaoperação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que teve como alvo vários pontos estratégicos da capital, Caracas, e outras zonas consideradas essenciais do país latino-americano. A informação foi confirmada publicamente pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, através da plataforma X, onde anunciou a captura do Presidente venezuelano Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores, no âmbito da operação militar.
Na Venezuela, eram cerca das duas horas da manhã quando parte significativa da população foi despertada por fortes estrondos, explosões sucessivas e pelo intenso ruído de aeronaves militares. Entre os milhares de portugueses e luso-descendentes que ainda residem no país encontram-se cidadãos naturais da região de Aveiro, muitos deles concentrados na capital venezuelana.
Uma luso descendente natural da Murtosa e residente em Caracas, relatou ao Diário de Aveiro os momentos de grande tensão vividos durante a madrugada. Segundo descreveu, os sons das explosões foram audíveis mesmo à distância. «Acordámos com o som das bombas. Não era perto de casa, mas ouvia-se claramente. Foi um susto enorme», afirmou.

Informação escassa
A luso-venezuelana explicou que, nas primeiras horas, não existiam informações oficiais. «Tudo o que sabíamos vinha das redes sociais e de familiares que estão fora do país. Não havia qualquer comunicado das autoridades», acrescentou.
O seu filho, residente nas proximidades da base aérea de La Carlota, um dos principais alvos da operação militar americana, contou que inicialmente não se apercebeu da ofensiva. «Estava a dormir e moro mesmo em frente à base. A rapidez do ataque não deu tempo para acordar», revelou, até soar um estrondo mais intenso, que acabou por despertá-lo. «Depois comecei a receber dezenas de chamadas e mensagens da família no exterior, todos muito preocupados. Só então fui à janela e percebi a dimensão do que estava a acontecer», explicou.
Perante o agravamento da situação, os órgãos oficiais portugueses na Venezuela reagiram com rapidez. Num comunicado conjunto, a Embaixada de Portugal em Caracas e os Consulados-Gerais em Caracas e Valência apelaram à calma da comunidade portuguesa e recomendaram que os cidadãos permanecessem em casa, face ao estado de emergência decretado pelas autoridades venezuelanas. As estruturas diplomáticas portuguesas reforçaram, ainda, os canais de contacto para situações urgentes, sublinhando o compromisso do Estado português em garantir a proteção e assistência aos seus cidadãos no país.

Uma operação
surpresa
Em Aveiro, as associações ligadas à comunidade venezuelana acompanham atentamente os acontecimentos e mantêm contatos permanentes com pessoas dentro e fora da Venezuela. Em declarações ao Diário de Aveiro, Mário Márquez, representante do Frente Amplio Profesional Internacional e do Voluntad Popular Internacional – Aveiro, afirmou que a operação militar incidiu sobre locais considerados estratégicos. «Foram atacados pontos como Higuerote, La Carlota, Fuerte Tiuna e La Guaira. Eram zonas onde se concentravam estruturas militares e outros grupos armados internacionais (Russos)», explicou.
Segundo Mário Márquez, a operação foi rápida, cirúrgica e inesperada. «Era algo que se sabia que podia acontecer de um momento para o outro, mas ninguém esperava que fosse assim..., durante a madrugada. Foi uma ação muito pontual, feita de surpresa», referiu, comparando a situação a outras intervenções militares históricas na América Latina. O dirigente associativo acrescentou ainda que, paradoxalmente, muitos venezuelanos no estrangeiro tiveram acesso a mais informação do que os que estavam no país. «As pessoas acordaram assustadas, sem perceber o que se estava a passar», afirmou.
Relativamente às reações da população venezuelana, Mário Márquez descreve um clima de surpresa e apreensão. «Tenho amigos em várias zonas do país que estavam a dormir, alguns até na praia, e não sabiam de nada. Só depois começaram a receber vídeos e mensagens das explosões em Caracas», explicou, salientando a preocupação generalizada com familiares que se encontravam na capital.

Nova etapa
para Venezuela?
Questionado sobre o significado deste momento para a comunidade venezuelana em Aveiro e em Portugal, o responsável associativo considera que se trata de um acontecimento histórico com potencial para mudar o rumo do país. «Pode ser a mudança que a Venezuela precisava há muitos anos. Um renascimento político, social e económico», afirmou. Na sua perspetiva, caso o processo se consolide, o país poderá iniciar uma nova fase. «Acreditamos numa Venezuela moderna, transparente, digitalizada, onde as pessoas tenham acesso à informação e às oportunidades», acrescentou.
Mário Márquez defende ainda uma transição política liderada por novas figuras. «Esperamos que assuma o presidente Edmundo González, com Maria Corina Machado como uma peça fundamental neste processo. No entanto, ainda há muitas incertezas sobre o que poderá acontecer nas próximas horas com outras figuras do regime», concluiu.
Quanto ao número de venezuelanos residentes em Portugal e concretamente na região de Aveiro, o dirigente admite que não existem dados precisos. «É um número muito elevado, mas difícil de quantificar. Há muitos luso-venezuelanos, pessoas com dupla nacionalidade e situações ainda por regularizar», explicou.
Enquanto isso, tanto em Aveiro como na Venezuela, famílias vivem momentos de grande ansiedade, mantendo contacto constante através de chamadas e mensagens, à espera de informações oficiais e do desenrolar de um acontecimento que poderá marcar profundamente o futuro deste país latino-americano.

Janeiro 4, 2026 . 08:30

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