
Multidão enfrenta o mau tempo e começa 2026 na água
É dezembro; o céu, da cor do chumbo, é uma nuvem contínua e maciça, sem uma nesga de azul; esta semi-penumbra cinzenta obriga os carros a circular com os médios ligados; a chuva é persistente; o termómetro marca 7 graus; é dia 1, feriado. Perfeito para estar em casa. Certo? Errado.
Um magote de pessoas junta-se na praia da Vagueira para uma modalidade que parece insana para muitos: o Banho do Ano. Cada novo ano é recebido com uma imersão nas águas do mar, como uma espécie de batismo anual. Ontem não foi diferente.
Alguns cafés estão abertos. Num deles, junto ao passadiço pedonal paralelo à linha de costa, uma lareira está acesa, libertando um calor prazenteiro graças a dois grossos toros incandescentes. A televisão exibe imagens dos festejos de reveillon em Lisboa, no Porto, em Paris ou na Austrália, um arco-iris pirotécnico que enche o ecrã. Na rua vêem-se pessoas com guarda-chuvas abertos, gorros, capuzes, boinas, cachecóis, kispos tão grossos que parecem capazes de suportar o frio da Antártida. A bandeira da Estação Naútica de Vagos, meio esfarrapada, agita-se freneticamente com o vento, como se quisesse soltar-se do mastro. O mar está bravio, soltando rugidos violentos. Um homem de 56 anos, de calções e chinelos nos pés como se fosse Agosto, contempla a água, meio esverdeada. É um participante regular do Banho do Ano. «Vim a primeira vez, gostei e agora não falho», conta. «Custa a entrar na água mas depois está-se melhor lá dentro do que cá fora», diz com a experiência de várias participações.
A chuva entretanto dá tréguas, o céu torna-se mais claro. A Vagueira vai ganhando algum frenesim. Os lugares de estacionamento, antes vazios, vão sendo preenchidos. Os bombeiros chegam com uma mota de água com a inscrição "salvamento".
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