
Praia precisa de mais obras de defesa
As máquinas e o tubo que descarregava areia enviada pela draga para a praia já não se encontram na Costa Nova, no concelho de Ílhavo, e ficaram os efeitos do avanço do mar durante os últimos meses que mudaram o cenário. A duna primária seriamente afetada, formando uma parede alta de erosão e, a seguir, um degrau íngreme até ao nível do mar, cuja praia, para já, a maré cheia ocupa, é o quadro. Com a chegada da primavera, o areal estabilizará e será possível circular mesmo na preia-mar. No entanto, quanto ao sistema dunar e a “encosta” de areia que se formou, não será possível prever agora como se apresentará no próximo verão. Não se trata de uma zona de paragem de banhistas, mas de passagem, ligando a Barra à Costa Nova, cuja configuração muda ao longo do ano e um esporão que contribiu para a erosão.
As condições do mar até à primavera determinarão o estado da costa nesta zona tão afetada, mas também a norte e a sul dos “três picos”, a designação desta zona de surf. Mas é preocupante pensar que ainda estamos no início do mau tempo do inverno. «A praia está frágil e ainda não está a começar o inverno», disse ontem Joaquim Soares, dos Amigos do Oceano, que tem acompanhado a evolução costeira, preocupado com o que pode ainda acontecer depois de o mar ter cavado forte nesta zona até à base da duna. Se até à primavera, não continuarem as intervenções de defesa da praia, a zona estará especialmente exposta a novos avanços do mar, porque se encontra “fragilizada”, mesmo com a descarga de, pelo menos, 100 mil metros cúbicos de areia, da Agência Portuguesa de Ambiente (APA).
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