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José Cruz: «Só havia um objetivo [na associação]: o estudante»

José Cruz foi o primeiro presidente da Associação de Estudantes da Universidade de Aveiro. Em entrevista, o engenheiro fala sobre as prioridades e desafios do seu mandato

Uma máquina de escrever, material de escritório, uma mesa de pingue-pongue e cinco mil es­cudos. Eram estes os pertences da Associação de Estudantes da Universidade de A­vei­ro, hoje designada Associação Académica da Universida­de de Aveiro (AAUAv), em 1978, quan­do José Cruz tomou posse co­mo presidente da direção. Natural da freguesia de Vera Cruz, o atual engenheiro teve uma passagem curta pela instituição aveirense, mas isso não o impe­diu de se envolver a­tivamente na causa estudantil. As questões sociais foram a prioridade da sua equipa, que não descurou a cultura, os estatutos e as instalações. Elogiando o trabalho de Joana Regadas à frente da AA­UAv, o antigo presidente deixa um conselho à comunidade estudantil e sustenta que as lides partidárias não devem fazer par­te da vida associativa.

Diário de Aveiro: Cinco anos volvidos sobre a fundação da Universidade de Aveiro, um grupo de estudantes organi­zou-se e criou a Associação de Estudantes. Como decorreu este processo?
José Cruz: Havia necessidade de os estudantes se organizarem… Na altura, quando me inscrevi na faculdade e andava no curso de Cerâmica e de Vidro, fui eleito representante do curso e esses representantes faziam depois parte de um conselho pedagógico. Foi quando fui nomeado que pensei, juntamente com esses colegas, que seria interessante formarmos uma Associação de Estudantes, pelo que constituímos uma equipa, unimo-nos e começámos a pre­parar as eleições. Quando fizemos uma convocatória, a­pa­receu, para além da nossa Lis­ta A, a Lista B. Quando ganhámos, assumimos a direção e tomámos posse, mas antes disso não tínhamos ainda de­dido quem seria o presidente. Tínhamos acordado que, se ganhássemos, iríamos nomear o presidente da direção entre nós.

As questões sociais marcaram muito o seu mandato. E­ra a prioridade para a sua e­qui­pa?
Naquele momento, era a prioridade que havia, de forma a criar condições para que os estudantes pudessem ter uma vi­da estudantil sossegada e confortável. O que queríamos era a­r­ranjar boas condições para os estudantes, nomeadamente ao nível das cantinas. Implementámos, com a ajuda do diretor dos Serviços Sociais, algumas medidas, como os “packs” dos lanches e pequenos-almoços: num horário específico, os estu­dantes poderiam comer estas re­feições por preços mais baixos. Era sobretudo um apoio para a malta que estava fora de casa. Uma outra guerra que tínhamos era a de baixar o preço das fotocópias, por exemplo. Por outro lado, tínhamos ainda como prioridades defender os interesses dos estudantes e criar condições para a associação.

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Dezembro 29, 2025 . 08:30

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