
«Estamos num lugar que não condiz com a qualidade da equipa»
O Beira-Mar fechou a primeira volta da Série B do Campeonato de Portugal numa posição delicada da tabela, perto da zona de despromoção, cenário que Fabeta diz não refletir a qualidade do plantel. Em entrevista, o técnico de 38 anos aponta os constrangimentos vividos desde o início da época - da indefinição estrutural às limitações orçamentais, passando pelas lesões e pela ineficácia ofensiva - como fatores determinantes para os resultados. Apesar do contexto adverso e das críticas, assegura manter a confiança na equipa, no trabalho desenvolvido e acredita que, com maior eficácia e uma mudança de mentalidade, é possível fazer uma segunda volta mais estável.
Diário de Aveiro: O Beira-Mar termina a primeira volta na nona posição, com apenas mais dois pontos do que a primeira equipa que está em zona de despromoção. Que balanço é que faz da carreira desportiva do Beira-Mar até à data?
Fabeta: O balanço não é positivo. Temos poucos pontos para o que deveríamos ter. Começámos a pré-época muito tarde e a constituição da SAD impediu que o clube não avançasse com renovações. Nem sequer sabíamos quem seria o treinador, porque em condições normais, seria essa SAD a escolher o treinador. Esta indefinição prejudicou muito a planificação da época, algo que nunca tinha acontecido no clube. A juntar a isto, a contingência financeira prejudica ainda mais. No ano passado já tínhamos reduzido o orçamento e, esta temporada, tivemos que baixar o orçamento. Quando o presidente me pediu para ser o treinador, sabíamos que não ia ser uma época fácil. Imaginar que poderíamos chegar a esta fase da época na classificação em que estamos, podia não ser surpreendente, contudo, face aos jogos que fizemos e à equipa que construímos, temos condições para estar numa posição melhor. Não podemos esquecer que tivemos vários atletas com lesões graves e muito tempo parados. Tínhamos idealizado que, em outubro, iríamos ter o plantel a 100%, mas a verdade é que tudo isto tem sido um problema. Chegámos ao fim da primeira volta num lugar que não condiz com a qualidade da equipa e com o que demonstrámos em muitos jogos. Temos de reconhecer que também houve dois ou três jogos em que não correspondemos da melhor forma, incluindo este último com o Gouveia. Mas sim, foi uma primeira volta aquém do que podíamos fazer.
A direção enviou, recentemente, uma exposição à Federação Portuguesa de Futebol sobre as arbitragens que, no seu entender, têm prejudicado o clube. Mas concorda que não foi por causa da arbitragem que a equipa não ganhou ao Gouveia...
Eu tenho o hábito, até nas conferências de imprensa, de, antes de apontar o dedo a terceiros, ver que o fizemos de menos bom, mas mesmo neste caso, podemos, e devemos, apontar o dedo ao árbitro porque nos invalidou um golo limpinho quando o resultado estava zero a zero. Seria um golo que libertaria a equipa para um jogo diferente e iria fazer com que o Gouveia tivesse de se expor, mas isto não pode ser a desculpa, tínhamos a obrigação de fazer mais e melhor. Esse lance prejudicou-nos mas nós controlámos e dominámos o jogo, apesar das poucas oportunidades de golo. Frente ao último classificado, não nos podemos estar a “agarrar” exclusivamente a esse erro do árbitro, mas, se formos realistas, já nos retiraram entre seis a nove pontos. E falo de jogos em que houve ações de golos anulados ou de lances mal analisados que deram golo ao adversário. Podíamos estar numa posição muito boa, possivelmente acima dos objetivos do clube, o que mudaria tudo sobre aquilo que poderá ser a opinião sobre a equipa e equipa técnica. Os erros fazem parte do futebol, mas houve muitos erros sucessivos que prejudicaram a equipa.
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