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Votação da revogação do Cais do Paraíso adiada para segunda-feira

O plano que viabiliza um hotel de 12 andares será votado na próxima segunda-feira pela Assembleia Municipal. O convívio político-partidário separa cada vez mais a coligação PSD-CDS do PS

O debate e votação da revogação do Plano de Pormenor do Cais do Paraíso em vigor, que pode viabilizar a construção de um hotel de 12 andares, estava previsto para a reunião da passada quinta-feira da Assembleia Municipal de Aveiro, mas acabou por ser adiada para a próxima segunda-feira, porque os pontos anteriores da agenda ocuparam o tempo da reunião.
As horas antes da reunião da assembleia foram de apelo, nas redes sociais, designadamente dos socialistas Alberto Souto e Pires da Rosa, tentando mobilizar votos a favor da revogação junto das bancadas do PSD e do CDS. Mas, para já, não houve ainda a oportunidade de saber se esses apelos serão atendidos.
Contudo, o assunto foi abordado, mas apenas pelo presidente da câmara, Luís Souto (PSD), escusando-se os outros partidos a falar disso, apesar de desafiados pelo autarca. Quer atuar, diferente dos socia­listas, diz, e não «parar e pensar noutro plano», como, classificou, os “velhos do Restelo”. «É a única clivagem», diz sobre o Partido Socialista.
Sobre a área do Plano de Por­menor do Cais do Paraíso, o autarca identificou-a como sendo um «espaço desértico» que a câmara «quer valorizar», e critica o PS por defender «man­ter vazios urbanos».
Recorde-se que o PS tem dito que não apoia um hotel com aquela cércea naquele local.
Combate de projetos
O presidente da câmara abor­dou ainda outros planos que o PS quer travar, como a demolição da antiga casa da CERCIAV para a ampliação do Conservatório, «em nome de saudosis­mo», porque, para o autarca, o imóvel não tem «nenhum valor que justifique» impedir a ampli­ação do equipamento cultural.
Do hotel de 12 andares não parece ceder mas sim avançar, cujo desfecho será conhecido na próxima segunda-feira com as votação da revogação.
Se for revogado, o processo para, caso contrário continuará em vigor, aberto a receber pedidos de licenciamento, mas também sujeito a ações em tribunal, nomeadamente de proprietários de terrenos na zona contra a câmara.
Estes são assuntos que Luís Souto pretende afastar da governação e focar-se «no que interessa», como - exemplificou - o estádio municipal que «tem de ser um ativo» e «captar mais eventos». Valorizou a inau­guração recente de dois centros tecnológicos em escolas, financiados pelo PRR, onde se a­pren­de programação de robôs. «Isto é que são dados que interessa», disse.
Na próxima segunda-feira, a revogação do plano é o primeiro ponto a abordar mas, da reunião da passada quinta-
-feira, fica sinalizada a relação de embate direto entre a bancada do PS e o presidente da câmara. Sobre Luís Souto, Fernando Nogueira diz que o «ponto de partida não é de encontro, é de clivagem» na relação com a oposição, além de que Luís Souto «pretende criar um “Aveiro bom”, da coligação PSD-CDS» e «um “Aveiro mau”, do PS». Luís Souto foi ainda desafiado por Cláudia Rocha, da IL, para «usar as relações que diz ter» com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, para conseguir financiamento para a ampliação do hospital, habitação e mobilidade.

Concurso para a ampliação do Conservatório
Sobre o concurso para a obra de ampliação do Conservatório, lançado pela câmara, referiu que não teve empresas concorrentes, mas Luís Souto pretende lançar novo concur­so e contrariar a oposição que quer «impedir um financia­mento garantido». Neste âmbito, Fernando Nogueira questionou sobre a fonte de financiamento garantido para o Conservatório, de 6,9 milhões de euros. «O que sa­be que não sabemos?», perguntou, sem obter resposta.

Dezembro 20, 2025 . 07:45

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