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Tradição de beijar o Menino Jesus já não é o que era e a culpa é da pandemia

Também a Missa do Galo já “conheceu melhores noites”, mas, neste caso, a razão prende-se com a falta de disponibilidade dos fiéis para participar

Longe vão os tempos em que se formavam longas filas para beijar o Menino Jesus nas qua­tro missas que celebram o Natal (Vigília, Galo/Noite, Aurora e Dia de Natal). Primeiro, porque os fiéis que, nestes últimos anos, vêm às celebrações, sobretudo os que nelas participam, são cada vez menos.
Depois, porque, com a pandemia de COVID-19 e as medidas restritivas, entretanto, im­postas, que pararam o mun­do no ano 2020, também os ri­tuais e as tradições da Igreja Católica sofreram alterações.

Missa do Galo deve ser «participada e viva»
A poucos dias do Natal, a nossa reportagem foi até Oliveira de Azeméis para saber como é que se vive esta que é , à semelhança da Páscoa ou da Imaculada Conceição, uma das maiores solenidades, não só desta paróquia, mas também das restantes 18 que compõem a Vigararia de Oliveira de Azeméis/São João da Madeira. E, claro, ninguém melhor do que o pároco oliveirense e também vigário para nos falar sobre o assunto.
O padre José Manuel Li­ma recebeu-nos, com a sua sim­patia de sempre, no Cartório Paroquial, ao final de uma manhã fria e chuvosa, como que a lembrar que o inverno es­tá quase aí. Em Terras de La Salette «vai fazer sete anos» e na vigararia «há dois», o sa­cer­do­te natural de Vila Nova de Gaia guia espiritualmente um “rebanho” que se vem destacando dos demais por ser participativo e dinâmico, mas a verdade é que «não tem sido fácil ter fiéis disponíveis para a Missa do Galo». «Sabe que», explicou ao nosso jornal, «para a celebração da Missa do Galo, é preciso haver uma coisa que é fundamental: ter gente que venha e que, de alguma maneira, ainda organize e participe». «Lembro-me, por exemplo, que numa paróquia em que estive deixou de haver, porque não havia quem cantasse», contou, defendendo, de seguida: «Para ser uma Mis­sa do Galo tem de ser uma mis­sa organizada, bonita, participada e viva».
Não era o que acontecia quan­­do o padre José Manuel Li­­­ma chegou à cidade olivei­ren­se nem é o que presente­men­te sucede, passados sete anos. Na Igreja Matriz de Oliveira de Azeméis, no Natal, não há Missa do Galo, havendo apenas as da Vigília (às 17 horas do dia 24), da Aurora (a primeira da manhã, às 9.30 horas) e do Dia de Natal (às 11 horas). Ainda no dia 25 há mais duas celebrações eucarísticas: uma na Capela de Nossa Senhora de La Salette, no Parque de La Salette, às 11.30 horas, e outra novamente na igreja, às 19 horas.
Na impossibilidade de - pelo menos, por enquanto - realizar a Missa do Galo, o reverendo disse ao Diário de Aveiro que gosta «muito de investir na Missa da Vigília». «Acho que, para quem quiser, incluindo, obviamente, as famílias, pode ser mais bonito e desafiador preparar tudo de forma a pode­rem vir à celebração das cinco da tarde. Depois da missa, podem ir todos para casa ultimar os preparativos para a conso­ada», referiu, afirmando, também, que já nesta primeira mis­sa da solenidade do Natal «po­de-se beijar o Menino Jesus». Se bem que, conforme chamou a atenção, «alguns a­proveitam [antes, a ocasião] para já o levar para o presépio».
O vigário desconhecia à data da entrevista quantas paróquias da Vigararia de Oliveira de Azeméis/São João da Madeira iriam celebrar a Missa do Galo, contudo, reforçou a ideia que já havia partilhado, pouco depois do início da conversa: que «tudo depende da dinâmica de grupos para cantar e das próprias famílias».

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Dezembro 19, 2025 . 11:15

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