
“António” e a sua experiência com as drogas: «lixei a minha vida toda»
“António”, brinco na orelha, cabelo desgrenhado, está à porta do Polo de Tratamento de Aveiro. Fala da sua experiência com as drogas com total desassombro, sem fantasiar a realidade. «Lixei a minha vida toda», resume. «Perdi tudo: a família, os filhos, a casa».
Esta semana, o Centro de Respostas Integradas (CRI) de Aveiro oferece um lanche aos utentes que estão a ser acompanhados no seu polo de São Bernardo. É uma forma, diz o coordenador, Emídio Abrantes, de proporcionar «um momento de convívio e proximidade nesta época festiva».
“António”, um antigo pescador de 55 anos, foi um dos participantes. Para este homem da Murtosa não há, nesta fase da sua vida, nada de romântico na sua experiência com as drogas. O consumo de substâncias como a cocaína ou a heroína produz um prazer efémero, quase tão rápido como um fósforo a arder. «É só aquele bocadinho. É tudo uma ilusão». O gozo é tão fugaz quanto devastador. A sua vida implodiu. «Não tenho nada à pala desta m...», diz. Nada se salvou: saúde, relações, trabalho. Falando para mim como se falasse para uma plateia de potenciais dependentes, avisa: «A droga só destrói. Pensem bem».
Para continuar a ler este artigo
nosso assinante:
assinante:










