
Fecho de portão no cemitério de Ílhavo gera polémica
No passado domingo, o Diário de Aveiro recebeu a denúncia de um grupo de cidadãos relativamente ao encerramento de um dos cinco portões do cemitério de São Salvador, que fazia a ligação direta entre a parte antiga e a parte nova do espaço.
A equipa do Diário de Aveiro deslocou-se ao local, onde foi possível confirmar a situação e ouvir os munícipes afetados. Segundo os denunciantes, o portão em causa esteve sempre aberto aos domingos, situação que se alterou após a reforma do anterior coveiro. «Sempre tivemos esta porta aberta e conseguíamos aceder ao domingo por aqui ao cemitério velho. Agora temos de dar uma grande volta para chegar aos locais que pretendemos», afirmou Manuel Pereira, um dos subscritores da queixa.
De acordo com os relatos recolhidos, o encerramento do portão já dura há mais de um mês e tem causado constrangimentos significativos, sobretudo a pessoas seniores e com mobilidade reduzida. «Tem sido um inferno. Somos pessoas de idade, alguns com muletas e dificuldades em caminhar, e agora temos de fazer um percurso muito maior que antes não existia nem se justifica», acrescentou.
Atualmente, encontram-se disponíveis a entrada principal, que permite o acesso direto à parte nova do cemitério, e o portão junto ao estacionamento, ambos com abertura automática através de motor.
Por sua vez, o portão encerrado situa-se junto ao portão da parte nova, mas dá acesso à parte antiga, sendo ela considerada pelos utilizadores como essencial para encurtar distâncias dentro do recinto.
Segundo os denunciantes, mais de 200 munícipes já assinaram uma petição dirigida à Junta de Freguesia de São Salvador, solicitando a reabertura do acesso. «As pessoas têm de dar uma volta muito grande. Eu tenho 82 anos e caí aqui na semana passada», relatou Manuel Pereira. Outro residente sublinhou que «senhores e senhoras de muletas tiveram de dar a volta para conseguir entrar, o que não tem jeito nenhum».
Alguns munícipes referiram ainda que a justificação informal para o fecho do portão estaria relacionada com alegados episódios de assaltos. «Disseram-me que houve aqui alguns furtos e que, por razões de segurança, decidiram manter abertas apenas as portas maiores, por terem mais visibilidade», explicaram. No entanto, garantem que nunca receberam qualquer comunicação oficial por parte da junta de freguesia ou da câmara municipal ilhavense.
A falta de resposta das entidades competentes é outra das críticas apontadas. «Já fizemos vários contactos com a junta e não tivemos resposta. Foi até uma advogada que enviou um “email” e nunca obtivemos esclarecimentos», referiu um dos presentes.
Junta de Freguesia dá resposta contundente
Contactado pelo Diário de Aveiro, o presidente da Junta de Freguesia de São Salvador, João Braga, justificou a decisão com o cumprimento dos horários estabelecidos e com os direitos laborais dos funcionários. «Esta decisão foi tomada no sentido de respeitar o horário definido e o devido descanso dos nossos funcionários», afirmou, considerando que a reclamação dos munícipes é «sem noção», por não respeitar as regras impostas pela autarquia.
O autarca explicou ainda que, de segunda a sábado, o cemitério funciona com um horário alargado. «Deveríamos abrir às 8 horas e abrimos às 7; deveríamos fechar às 18 e esticamos o horário, tudo para oferecer o melhor serviço possível. Mas também é preciso respeitar as regras. Os nossos funcionários têm direito a descansar», salientou, acrescentando que o funcionário responsável não dispõe de viatura própria que lhe permita deslocar-se ao domingo apenas para abrir e fechar o portão.
João Braga referiu ainda que a medida visa reforçar a segurança, uma vez que não há funcionários no local ao domingo. «O acesso quase não é alterado. As pessoas têm de andar cerca de 50 metros e virar, seja para o cemitério novo ou para o velho. Não considero que seja muito grave», afirmou.
O presidente da junta de freguesia garantiu que a decisão se mantém. «Não vamos fazer mudanças. Sabemos que não conseguimos agradar a todos, mas isto já foi determinado e legislado, e vamos manter», concluiu. |











