
“Falar castiço” da Beira Mar reclama um futuro
«O que seria do futuro sem um passado na mão?!», questionou Lucinda Rigueira, que, com a sua nova obra, intitulada “Memórias do falar que o tempo me deixou…”, ontem apresentada, no Museu de Aveiro, continua a dar um contributo para que o futuro, em especial o devir da sua comunidade natal, a Beira Mar, e de Aveiro, continue a ser trilhado com um sentido de pertença.
Foi uma obra do seu amigo, escritor e poeta, Domingos Cardoso, que lhe espevitou as recordações e lhe resgatou a memória do seu bairro «com ditos, ditados, expressões e termos de antigamente, enquadrados em historietas».
São relatos também feitos de «pequenos diálogos» que nos transportam para a vivência de rua da sua meninice e juventude.
“A Abadessa”, “Bai à Gaita!”, “Há cada filho”, “Os três da bida airada”, “O Gabarola”, “O Medricas” e “Meteu a Pata na Poça” são algumas das «histórias simples» de um bairro da Beira Mar no qual a «cultura popular» era rainha e onde os seus moradores, apesar «das vidas difíceis», estavam «sempre prontos a ajudar e a partilhar».
A autora, docente de profissão, logo avisou que o leitor encontra na obra «termos castiços e palavras maliciosas», expressão da «argúcia de linguagem» dessa «gente simples».
Maria José Venâncio, sua amiga e escritora, veio à apresentação sublinhar que o novo livro de Lucinda Rigueira é «um gesto de preservação e um ato de memória», que contém «uma mão cheia de sementes de história e de histórias» - «sementes» - complementou - «de um passado vivo».
Sérgio Azeredo, presidente do Aveiro Arte, e portuense de origem que se apaixonou pela Beira Mar, saudou a obra que resgata «uma certa forma de estar» e que se constitui em ativo «para memória futura».
O escritor Domingos Cardoso destacou a capacidade demonstrada da autora aveirense para pôr nas páginas «um cheirinho da vida simples e pacata» no bairro de outras eras.
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