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A Feira que é dos 28 mas que acontece nos 14

Ainda vibra a Feira dos 28 que, excecionalmente, volta hoje a encher o Parque de Feiras de Aveiro

Entra-se num dos portões do recinto e, depois da receção pelos Mordomos de São Gonçalinho a fazerem um peditório para as festas do Menino, são imediatos os gritos a apregoar a «cueca da menina e a boxer do menino». É a Feira dos 28 em todo o seu esplendor, que por ser mês de dezembro antecipa para hoje a última edição do ano, na esperança de ali se venderem e comprarem muitos presentes de Natal.

Embora com muitos lugares de vendedores livres, «porque nesta altura do ano há muitas feiras a acontecer na região e a de Aveiro já foi mais forte...», explicava uma vendedora ao Diário de Aveiro, certo é que o recinto estava muito composto e com preços de fazer "perder a cabeça". Muito atarefada, até porque tinha a «banca mai linda da feira» e com preços inegociáveis: camisolas, calças e casacos a 1 euro, Maria vende desde os 15 anos e hoje, do alto dos seus cabelos brancos, não se vê a fazer outra coisa. «Foi nas feiras que cresci, namorei, casei e quase que paria», relatava, ao mesmo tempo que apregoava «um eurinho a peça, filhas... eu não quero arrumar nada», que é o mesmo que dizer, quero vender tudo e voltar para casa com a carrinha vazia e os bolsos compostos. Diz que «não sabemos fazer outra coisa» e enquanto a saúde deixar marcará presença com a sua roupa pelas feiras da região centro, «no máximo subimos até Guimarães», referindo-se também ao marido e a um dos netos, que em período de férias escolares dá uma ajuda e vai aprendendo o negócio.

Com o número de pessoas a aumentar à medida que a manhã avançava, «esta é uma feira de inverno e isso nota-se no produto», explicava o "Tó", como é conhecido no meio, atrás de uma banca de pantufas «para todos os pés e todos os gostos». Com e sem pelo, com e sem padrão, com e sem salto, de facto modelos não faltam e com o preço a começar nos 3 euros. «Só anda de pé frio quem quer», atirava a quem passava, num dia bafejado pelo São Pedro e com as mesas para os almoços já a serem montadas e o cheiro do frango de churrasco a invadir o recinto.

Calçado, roupa, interiores, roupas de cama, bijuteria, alfaias agrícolas, malas, chapéus, plantas, bolos e regueifas e até uma banca de livros «como novos»... a Feira dos 28 ainda é o que era e a diversidade de visitantes também se mantém. O facto de acontecer ao domingo, e com as escolas encerradas, era visível a presença de famílias e muitos jovens, a maioria à procura de oportunidades. Joana Silva reside em Aradas e desafiou duas amigas para irem à feira. Para ela já é habitual, mas para as amigas foi estreia absoluta. Todas elas trouxeram dinheiro, entre os 15 e os 20 euros, e pelas 10.30 metade do "plafon" já estava gasto. «É muita tentação», explicavam, com a Joana a abrir orgulhosamente o saco plástico e a mostrar como conseguiu comprar um "kispo" por 5 euros e três camisolas por 3 euros. «Nem nos saldos», comentavam, felizes e determinadas a rumarem às bancas do calçado, à procura de «botas giras». Na lista de compras também estavam algumas prendas, «somos estudantes, não temos dinheiro...»

De entrada livre e com dois parques de estacionamento disponíveis nas imediações e totalmente gratuitos, a Feira dos 28 está a decorrer até ao fim da tarde e não faltam razões para uma visita, quem sabe para as compras de Natal de última hora.

 

Dezembro 14, 2025 . 13:35

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