
«Ninguém chega saudável ou inteiro a uma cadeia: chega-se derrotado»
Os dias 20 de novembro de 2019 e 20 de março de 2023 vivem frescos na cabeça de Joaquim Silva. O período de tempo decorrido entre ambos representou para ele uma experiência que, admite, nunca pensou viver na primeira pessoa. Durante três anos e quatro meses, Joaquim esteve preso no Estabelecimento Prisional de Aveiro. «Foi uma experiência muito dura. Nos primeiros meses tinha a sensação de que estava no meio de um pesadelo à espera de acordar», confessa.
A ausência de uma rotina de trabalho, as horas passadas fechado e os dias iguais de domingo a domingo dificultaram-lhe a adaptação ao meio prisional, mas rapidamente procurou escapes. Passado um mês, conta, já estava a frequentar a escola, para «fazer outras coisas» e «estar em contacto» com outras pessoas. Depois, conseguiu um trabalho na biblioteca da prisão. «Era um dos meus grandes objetivos: fazer alguma coisa para ajudar a passar o tempo e a sair um pouco daquela realidade. Trabalhei até ao meu último dia, foi maravilhoso».
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