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Um projeto familiar que se tornou património cultural de Águeda

Através de ímanes, bordados e louças pintadas, o projeto GraçArt nasceu no seio da família Almeida e é hoje um contributo para a promoção do município aguedense para além das suas fronteiras

No coração do centro histórico de Águeda, num pequeno espaço que resiste ao tempo e às mudanças da cidade, existe um projeto que se tornou um símbolo afetivo e cultural da regi­ão. A GraçArt, criada por Gra­ça Almeida e pela sua fa­mí­­lia, nasceu de forma quase improvisada, mas rapidamen­te conquistou lugar no comércio local.

Hoje, é impossível falar de artesanato aguedense sem mencionar o nome de Graça Almeida. «Quando vim para cá, Águeda não tinha uns ímanes relacionados com a cidade, não tinha uma louça a dizer Águe­da, não tinha nada. Percebi que havia essa lacuna e comecei a fazer», recordou.

A loja começou quando a filha da artesã, então desempregada, decidiu abrir um espaço de venda de artesanato. «A loja é da minha filha. Quando ela abriu estava desempregada. Agora trabalha no hospital. Nos dias em que ela está a trabalhar, estou eu aqui», explica a artesã, de 71 anos.

A dinâmica familiar é eviden­te, e essencial dentro da criação das obras únicas desenvolvidas por estes artesãos, uma vez que o trabalho manual envolve também o irmão da própria Graça Almeida. «A louça é pintada por mim e pelo meu irmão. É trabalho nosso. Ele na pintura de painéis é o melhor da zona», sublinhou. Esta união familiar transformou uma ideia simples num ponto de referência em Águeda.

Artesanato pouco valorizado

A produção artesanal é exigente e feita com cuidado extremo. «Uma peça demora u­ma tarde a pintar, ou mais», contou. Depois, segue-se o processo de vidragem e cozedura, «um forno que liga à noite e só pode ser aberto quando está completamente frio, porque senão a louça estala». Este processo meticuloso raramente é valorizado pelo público. «Se vissem o tempo que nós demoramos a pintar uma peça… não dava para viver disto. As pessoas acham 35 ou 80 euros muito dinheiro, mas as tintas são caras, o vidro é caro, a energia é cara». Ainda assim, é essa dedicação que faz da GraçArt um espaço autêntico, on­de cada peça carrega uma história.

Entre louça pintada, têxteis e objetos decorativos, destacam-se os artigos inspirados nos guarda-chuvas coloridos que hoje representam Águeda no mundo. Muitos visitantes chegam à loja e levam um pedaço da cidade nas mãos. «Eu não vendo “online”, mas o boca a boca já me trouxe clientes da Austrália, da China e até do Cazaquistão. Já despachei andorinhas para lá. Tenho clientes que me visitaram no primeiro ano e continuam a vir cá. Isso dá-me um orgulho enorme», revelou.

 

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Dezembro 4, 2025 . 10:45

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