
Projeto dos guarda-chuvas “pinta” céu da cidade e ganha fama mundial
Os centenas de guarda-chuvas coloridos suspensos nas ruas do centro de Águeda criam um espetáculo visual único em duas épocas do ano - em julho, durante o festival AgitÁgueda, e, em dezembro, com a iniciativa “Águeda é Natal”. Responsável por esta instalação artística, denominada “Umbrella Sky Project”, Patrícia Cunha, diretora criativa da empresa Impact Plan, sediada na Zona Industrial de Oronhe, em Águeda, contou ao Diário de Aveiro que a arte começou por “subir ao céu” em 2011, na Rua Luís de Camões, «após um desafio da Câmara Municipal de Águeda», tornando-se um cartão de visita da cidade.
Os bastidores do projeto artístico
O encerramento ao trânsito da «famosa rua dos guarda-chuvas contribuiu para o desentendimento dos comerciantes», uma vez que «as pessoas estavam habituadas a deixar os carros em frente às lojas, comportamento que fazia aumentar o negócio, contou Patrícia Cunha. Segundo se recorda, foi esse o motivo que levou a autarquia a «promover algumas iniciativas para tentar atrair a atenção da população», encontrando na Impact Plan a aliada certa, «com a decoração de guarda-chuvas suspensos».
A empresa criativa nasceu há cerca de 17 anos com o nome Sexta-Feira Produções, mas, segundo a fundadora, «só há sensivelmente 13 é que nos começámos a dedicar à arte urbana». Inspirada na história da «Mary Poppins», lançou o “Umbrella Sky Project”, cujo objetivo era «criar um efeito de teto com guarda-chuvas, simbolizando a proteção do sol e da chuva». A seu ver, a principal preocupação não passava pela obra em si, mas «pelo impacto nas pessoas», tal como indica o atual nome da empresa, que conta com uma equipa de cerca de 25 pessoas.
A criadora confessou ao Diário de Aveiro que, numa fase inicial, «fomos ao dicionário para perceber o significado da palavra impacto e como podíamos criá-lo». Após muitas leituras, «percebemos que tínhamos de usar objetos inusitados e colocados num local inesperado», acrescentando «a repetição de objetos, o exagero nas quantidades, na densidade e no tamanho», particularidades que «causam estranheza nas pessoas», disse.
A estreia dos coloridos “paraísos de sombra” criados pelos chapéus-de-chuva «teve um impacto gigante, com milhões de publicações a serem partilhadas nas redes sociais e a atrair cada vez mais turistas», mencionou a artista. De uma rua, «passámos rapidamente a colorir duas e três», sendo que, atualmente, durante o AgitÁgueda, «fazemos instalações artísticas em cerca de seis ruas, enquanto na época de Natal fazemos apenas em três», divulgou. Antes destas instalações, «já trabalhávamos em várias iniciativas, como o revestimento de árvores e a criação de peças artesanais», mas, com o aumento do vandalismo, «entendemos que seria melhor colocar as criações penduradas, longe do alcance das pessoas», justificou a responsável.
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