
Homem de Deus há uma década
Diário de Aveiro: Quem é o padre Pedro Barros? Quais são as suas origens?
Pedro Barros: Sou o reitor do Seminário [de Santa Joana Princesa] há um ano e dois meses. O ato oficial da entrada no seminário foi no dia 13 de setembro de 2024. Antes era pároco de Nossa Senhora de Fátima e São Pedro de Nariz.
Que idade é que tem?
40 anos.
Qual é a sua naturalidade?
Sou de Aveiro. A minha família vivia em Mataduços. E, por isso, inicialmente, pertenci à Paróquia de Esgueira. Entretanto, por volta dos 13 anos, mais ou menos, fui viver para Santa Joana. Digamos que sou um filho da Paróquia de Santa Joana.
Mas quando e como iniciou o seu percurso religioso?
Fiz um percurso, digamos assim, habitual: andei na catequese, fiz o crisma. Depois senti o desejo de devido àquilo que recebi através dos meus catequistas, de eu próprio também ter essa missão. Então, logo a seguir ao crisma, comecei a ajudar na catequese e a ser catequista, e depois também no grupo de jovens da própria paróquia, sendo que, nessa altura, também entrei na universidade aqui em Aveiro. Acontece que, no primeiro ano do curso, acompanhei uma colega de curso que, um dia, ia ao CUFC [Centro Universitário Fé e Cultura] ver informações para ir em missão [ad gentes (missão cristã de evangelização)], e eu fui acompanhá-la, desinteressado, mas, depois, acabei por ficar com ela a fazer formação. No final do primeiro ano [do curso universitário], com 18 anos, fui em missão para Moçambique [para Pemba], onde estive num colégio católico, a ajudar nas aulas de Inglês e de Informática (a minha área de formação), que, ainda que fosse um colégio católico, tinha muitos alunos muçulmanos. Recordo-me que, quando lá cheguei, havia dois sacerdotes, estagiários da Arquidiocese de Braga, que estavam em coma devido ao paludismo, e que, quando regressei, comecei a pensar um bocadinho naquilo que tinha vivido, e como a sua entrega à missão começou a fazer-me provocações. Depois disso, fui procurando respostas. Ainda me licenciei em Tecnologias de Informação e Comunicação, e só, posteriormente, é que fui para o seminário.
Quando foi em missão para Moçambique é que começou a sentir-se “provocado”? Nessa altura, namorava?
Comecei a namorar depois de regressar. Houve ali um conjunto de circunstâncias que aconteceram todas ao mesmo tempo, que, de certa forma, podem ter sido refúgios. Mas não se trata de fugas da realidade das pessoas com quem estava a viver, ou com quem namorava ou com quem me relacionava. Estava numa altura de desafios e queria ser um bocadinho audaz na minha vida. Aliás, logo a seguir, também decidi ir em Erasmus para Salamanca, no segundo ano da universidade, o que não era habitual acontecer naquele ano. Portanto, foi havendo sempre um conjunto de descobertas. A ida em missão foi também uma experiência de descoberta, mas também muito profunda a nível espiritual, como cristão. E depois também surgiram estas: a experiência do namoro, a experiência do Erasmus, a experiência de repetir o voluntariado missionário.
Que descobertas foram essas?
Apesar de ter namorado durante seis meses, de ter ido em Erasmus, e após a experiência de missão em Moçambique, senti a necessidade de procurar acompanhamento no Pré-Seminário (etapa de discernimento para perceber se sou chamado ao sacerdócio), aqui, no seminário de Aveiro. Era o padre Nestor, na altura, o responsável do Pré-Seminário, e como estava na universidade, fui conversando com o padre Georgino Rocha, na altura, diretor do CUFC.
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