
Em Vale de Cambra, “quem canta memórias seus males espanta”
Aquele era o segundo ensaio geral. Falta mais um, que decorre esta tarde. Depois de um trabalho que já dura há um ano e uns meses, é chegada a altura de partilhar os “frutos” com o público, que se espera que seja numeroso e também caloroso, para contrariar o frio que começa a dar sinais da sua graça. Até anteontem, dia em que a nossa reportagem pôde assistir ao ensaio, a organização já tinha «metade da casa cheia nos dois dias de espetáculo», conforme adiantou à nossa reportagem o vice-presidente da Câmara Municipal (CM) de Vale de Cambra, Sérgio Soares.
65 Vozes em palco
Nos próximos sábado e domingo, respetivamente, às 21 horas e 18 horas, sobem aopalco do Centro Cultural de Macieira de Cambra 65 vozes , com idades entre os 57 e os 91 anos, que prometem tocar o coração de todos. A entrada é livre, mediante marcação prévia através do “email” [email protected] ou número de telemóvel 910 856 855.
Entre os artistas que dão voz, corpo e alma ao espetáculo comunitário “desbravar” (a maioria mulheres), estão Hermínia Tavares (72) e Lurdes (66), coincidentemente, com o mesmo apelido. As duas participam nesta ação do projeto ”Caminhos para a Coesão”, coordenado pela CM valecambrense e executado pela ADRIMAG - Associação de Desenvolvimento Rural Integrado das Serras de Montemuro, Arada e Gralheira, no âmbito do Plano de Ação das Comunidades Desfavorecidas. E vão estrear-se, este fim de semana, nestas andanças artísticas. «É o primeiro espetáculo em que participo. Vou estrear-me em palco», contou-nos Hermínia Tavares, que, depois de ter estado emigrada 21 anos em França, reside agora em Gatão (Cepelos) com a neta mais nova e que estava ali, como a própria nos confidenciou, «pelo convívio» e não só. «Também estou aqui», disse, «para aprender coisas e ensinar alguma coisinha do pouco que sei, para passar um bocado de tempo, para sair um pouco da solidão e da rotina da vida».
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