
Afinal, as mulheres do mar, dos rios e da ria «continuam invisíveis»
As mulheres das comunidades marítimas que trabalham no mar, rios e ria «continuam invisíveis», disse ontem Helena Ferreira, do Centro de Línguas, Literaturas e Culturas da Universidade de Aveiro, investigadora nas áreas do género, sexualidades e direitos humanos, no Seminário Desafios do Mar Português, dedicado ao tema “As Mulheres do Mar”, no Museu Marítimo de Ílhavo. Nas «estatísticas não se sabe se são mulheres», porque «são pescadores», sem diferenciação do género.
São as “mesmas” que, há uns anos, também eram pescadoras, mariscadoras e apanhadoras de algas, como sargaços, mas eram consideradas, nas “estatísticas” como “domésticas”. Parte da sua história foi contada com um foco especial nas que viveram durante a ditadura do Estado Novo, sem direitos e numa vida obscura. O sistema precisava delas para o trabalho no mar, rios e ria, mas escondia-as sob a capa de “doméstica”, conduzindo-as a violar a lei para obter rendimentos, através da fuga aos impostos e, até, algumas vestindo-se de homens para conseguirem trabalhar.
Atualmente, são, oficialmente, «pescadores», sem distinção de género. Sobre o presente, a moderadora do debate, Maria José Costa, da Faculdade de Ciências e do MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, da Universidade de Lisboa, disse no seminário que para conseguir a foto de uma jovem pescadora do estuário do Tejo foi preciso a autorização do marido. Um comportamento que «subsiste», disse, nos Açores, «relegadas ao espaço doméstico» e, na pesca, «não se sabe quantas são», disse ainda Helena Ferreira, sublinhando ser «uma realidade a que ainda hoje assistimos».












