
Moradores e comerciantes lutam contra inundações há mais de 30 anos
Moradores e comerciantes da Rua Dr. Mário Sacramento, em Aveiro, afirmam viver uma situação «insustentável» devido a inundações recorrentes que, segundo explicam, acontecem «há mais de três décadas». O problema, alegam, está relacionado com falhas no sistema de drenagem e no funcionamento das bombas responsáveis pelo escoamento das águas pluviais.
As queixas foram ouvidas durante uma visita ao local pelo Diário de Aveiro, onde vários residentes relataram prejuízos constantes em garagens, lojas e espaços comuns dos edifícios. Fernando Britto, proprietário de um comércio na zona, descreve cenários repetidos. «Sempre que chove, isto transforma-se num autêntico mar. As garagens ficam submersas, a água chega a meio da canela. Já ninguém quer arrendar nada aqui».
Outro morador, que prefere não ser identificado, afirma que o problema remonta à construção dos edifícios na zona: «Isto sempre foi uma linha de água. Estas edificações nunca deviam ter sido autorizadas aqui. Há muito tempo que vivemos isto».
Os moradores garantem já ter contactado a Câmara Municipal de Aveiro, a Junta de Freguesia da Glória e Vera Cruz, a AdRA, Bombeiros e Proteção Civil. Segundo relatam, apesar das visitas técnicas, limpezas periódicas e substituição de equipamentos, o problema mantém-se e sem solução.
Fernando Britto explica que até soluções improvisadas tiveram de ser adotadas. «Os vizinhos já fizeram muros dentro das garagens para tentar evitar a entrada da água. Outros deixaram de usar os espaços por completo. Há quem esteja a vender as garagens porque não aguenta mais este prejuízo». Um dos pontos mais preocupantes, segundo os moradores, é o transbordo recorrente de uma caixa de saneamento. «Nos últimos anos começaram a surgir excrementos e resíduos a flutuar quando há inundações. Isto é um problema de saúde pública», denuncia Fernando Britto.
Na manhã de ontem, técnicos da autarquia estiveram, novamente, na rua para realizar trabalhos de melhoria no sistema de drenagem. Apesar disso, os moradores receiam que as intervenções sejam apenas «paliativas». «Todos os anos ouvimos que “vão ver o que podem fazer”. Mas o problema nunca fica resolvido», lamenta Fernando Britto.











