
Cemitérios são cada vez mais destinos turísticos
Longe vão os tempos em que os cemitérios apenas “guardavam” os restos mortais dos entes queridos, para todo o sempre. Já há muito que deixaram de ser só lugares de dor e também de memórias que, em muitos casos, teimam em manter-se até ao último suspiro.
Hoje em dia, são cada vez mais os que os visitam atraídos pela história, pelo valor arquitetónico e artístico e/ou pelas personalidades neles sepultadas.
À semelhança do que se passa noutros países, em Portugal assiste-se a um “boom” do necroturismo, também conhecido por turismo cemiterial. Aliás, o nosso país, “à beira-mar plantado”, faz parte da Rota Europeia dos Cemitérios - iniciativa do Conselho da Europa que promove «cemitérios com importância cultural, histórica e artística», e que em Portugal é representada pelo Cemitério de Agramonte (Porto), Cemitério da Lapa (Porto), Cemitério do Prado do Repouso (Porto), Cemitério do Alto de São João (Lisboa) e Cemitério dos Prazeres (Lisboa). E até já há vários cemitérios nacionais no Tripadvisor, imagine-se.
Distrito não tem roteiros de necroturismo oficiais
Integrando ou não a dita rota, a verdade é que os “campos santos” portugueses estão a ser invadidos por turistas, e os do distrito de Aveiro não são exceção. A título de curiosidade, convidamos os nossos leitores a visitarem o Cemitério Central de Aveiro, na União das Freguesias de Glória e Vera Cruz. Aqui, contrariamente ao que seria de esperar, porque se situa, precisamente, no centro de uma cidade que é capital de distrito, onde o mais provável é haver caos, “reina” a tranquilidade, a que se somam a beleza dos jardins cuidados e a imponência de alguns jazigos de família. Embora não haja roteiros de necroturismo oficiais a nível distrital, o “campo santo” mais antigo de Aveiro é frequentemente referido como «um local de interesse para quem procura uma experiência de reflexão e admiração pela arquitetura funerária».
Neste cemitério aveirense encontramos, por exemplo, o Monumento aos Mártires da Liberdade/Monumento aos Justiçados, com cerca de quatro metros de altura, aqui edificado por proposta da Câmara de Aveiro de 1865 e inaugurado um ano depois, segundo refere o município no seu “site”, acrescentando, pela mesma via, que o projeto de edificação foi orientado pelo engenheiro Rezende Júnior e a peça escultórica foi talhada, em pedra mármore, por Moreira Rato, em Lisboa.
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