
Caminhante da Península Ibérica chega à região
Numa aventura que já leva mais de quatro meses, o espanhol David Giménez está a viver um desafio pessoal inédito: percorrer toda a Península Ibérica a pé. Esta iniciativa começou no dia 18 de maio, em Salou, na sua cidade natal, na Catalunha, com previsão de término em abril do próximo ano. Nos últimos dias, o aventureiro tem explorado a costa aveirense, passando por locais emblemáticos, como Furadouro, Torreira, Praia da Barra e Costa Nova. Com uma mochila às costas e uma tenda como casa, caminha em média 30 quilómetros por dia, num desafio que espera concluir ao fim de 7.000 quilómetros .
«Eu sou hiperativo desde pequeno. Preciso de estímulos, não gosto de uma vida rotineira», contou David Giménez, ontem, em entrevista ao Diário de Aveiro. «Por isso faço coisas diferentes. Se vejo um tubarão, eu corro até ele. Preciso sentir-me vivo», afirmou.
Quase metade do percurso concluído
O trajeto de David Giménez já o levou por Aragão, Navarra, País Basco, Cantábria, Astúrias, Galícia e Porto. Recorda com entusiasmo os 1.500 quilómetros da costa galega, que percorreu de ponta a ponta.
Apesar da boa forma, a caminhada não tem sido isenta de desafios: enfrentou ataques de cães, uma entorse no joelho e até a presença de lobos perto da sua tenda. «Estive quase duas semanas sem andar por causa da lesão, mas assim que recuperei voltei à estrada».
Em Portugal há cerca de dez dias, David Giménez destaca a diferença da densidade populacional. «Encontrei menos pessoas nos pequenos povoados portugueses, mas, quando encontrei alguém, foram muito acolhedores. Deram-me água, comida, pão, fruta. A hospitalidade existe», contou.
O frio e a solidão não são barreiras
Vivendo com o seu “companheiro” Charlie, um pequeno carrinho onde transporta apenas o essencial, como uma tenda, um fogareiro e algumas provisões básicas, o viajante dorme ao relento e já se prepara para enfrentar o inverno, período em que acreditava que estaria de volta a casa.
«O ChatGPT enganou-me», contou o caminhante, explicando que recorreu à Inteligência Artificial para planear o cronograma da sua travessia e que, segundo os cálculos, nesta altura já deveria estar a caminho de casa, no país vizinho.
Apesar desse contratempo, não pensa em desistir, pois, segundo afirma, «passei noites frias, mas isso faz parte do desafio. Mentalmente preparei-me para sofrer».
Também destacou a solidão sentida desde que cruzou a fronteira: «Em Portugal falei com pouquíssimas pessoas. Às vezes caminho dias inteiros sem ver ninguém. Mas o desafio é assim mesmo».
Mesmo longe de casa, David Giménez não caminha sozinho. O jovem, de 31 anos, recebe mensagens e apoio constante dos seus mais de 59 mil seguidores na sua conta de Instagram @elretodedavid. «Os meus seguidores são o meu combustível. Eles acompanham cada quilómetro. Quando estou cansado, lembro-me deles, o que me ajuda a não desistir», contou.
Com equipamentos oferecidos pela marca desportiva Salomon, David Giménez ainda procura patrocinadores que possam contribuir financeiramente para sustentar a viagem. «Vivo com pouco e tenho dias que só como uma vez por dia. Quanto a esta aventura, achava que ficaria concluída agora em novembro, mas preciso de ajuda para continuar. Um patrocínio seria essencial para comprar comida e manter o projeto vivo», explicou.
Aveiro no coração
Durante a sua passagem por Aveiro, David Giménez registou o pôr do sol no Furadouro, que chamou de «um dos mais bonitos da viagem». O vídeo será publicado como parte do seu diário visual “online”, que já contém mais de 125 publicações. Para este peculiar aventureiro, o desafio representa mais do que uma travessia geográfica: é um ato de resistência, liberdade e conexão humana. «É uma viagem que me tem feito crescer e conhecer-me a mim próprio. Não penso em desistir. Só a morte ou algo muito grave me faria parar», afirmou com convicção.












