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Ex-diretor usou o cartão de crédito depois de se demitir da Aveiro Expo

A revelação foi feita pelo presidente da Câmara de Aveiro, Ribau Esteves, esta quarta-feira à noite, na última Assembleia Municipal de Aveiro deste mandato

O ex-diretor da Aveiro Expo, Diogo Machado, atual candidato à Câmara de Aveiro pelo Chega, usou o cartão de crédito da empresa municipal após apresentar a sua demissão do cargo, disse o presidente da Câmara de Aveiro, Ribau Esteves, sem mencionar o nome. A declaração foi feita durante a sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Aveiro, a última do mandato, durante o debate do “Relatório Final dos Liquidatários e Demonstrações Financeiras da Aveiro Expo". «Mesmo depois de sair (da Aveiro Expo) ainda usou o cartão de crédito, em cerca de 700 euros, e obviamente repôs». Aliás, segundo Ribau Esteves, «a única coisa que conseguimos que fosse devolvida».

O assunto foi abordado nos últimos dias, em plena campanha eleitoral, cujo período oficial termina esta sexta-feira. Em recente reunião de câmara, no passado dia 1, Diogo Machado foi apontado como devedor de 20 mil euros à Aveiro Expo. No dia seguinte, Diogo Machado apresentou uma queixa-crime por difamação agravada, no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Aveiro contra Ribau Esteves e o vereador Rui Soares Carneiro, que citou o nome do ex-diretor da Aveiro Expo, durante a reunião do executivo municipal.

Mas, durante a Assembleia Municipal desta quarta-feira, Ribau Esteves disse ainda que, «como fazia antigamente o tal diretor, levantava dinheiro das máquinas e depois apresentava os comprovativos da despesa, é uma coisa muito original, mas era assim». O presidente da autarquia também afirmou que, na análise contabilística da Aveiro Expo, «saiu dinheiro da câmara e ainda não entrou documento justificativo, e isso é uma imparidade».

Para Ribau Esteves, quando Rui Soares Carneiro «falou no nome do diretor estragou a pintura toda, no sentido de ter criado um "bruá" absurdo». Ribau Esteves optou por não dizer o nome porque , justificou: «já o conheço há muitos anos e a pessoa em causa insulta-me de forma feia. Tenho coleção de "emails" que são enviados para mim a tratar-me do pior que já fui tratado na minha vida, a ameaçar-me da maior violência que já fui ameaçado na minha vida, tratado abaixo do pior com palavras violentíssimas».

A ouvir estas declarações estavam as bancadas partidárias da assembleia que, segundo Nuno Teixeira, do PCP, estavam «regalados» e acrescentando qu, se Ribau Esteves considera a sua grande obra o Rossio, «para mim a sua grande “obra” foi esta intervenção, perfeito». Sobre a Aveiro Expo, Nuno Teixeira diz ter sido usada por “jobs for the boys" e, depois, um deles "mordeu a mão do dono"».

Para João Moniz, do BE, a apresentação da queixa no DIAP é um «ataque ao direito de oposição e à liberdade de expressão», enquanto para Jorge Girão, do CDS, a assembleia estava «a fazer o que o CHEGA quer, que é protagonismo».

A liquidação da Aveiro Expo foi aprovada por maioria com um voto na abstenção de Gabriel Bernardo, do CHEGA, que, após ser criticado, nomeadamente por Ribau Esteves, por não fazer qualquer intervenção durante o debate, justificou que não estava mandatado «para defender ninguém» e alegou desconhecer o processo. «Estou completamente fora, nem me interessa saber», afirmou.

Outubro 9, 2025 . 00:32

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