
“Ataque secreto”, um livro sobre um golpe de Estado falhado
Diário de Aveiro: A operação Mar Verde aconteceu em 1970 na Guiné e foi a única vez que Portugal invadiu um país vizinho em África. Era um tema sobre o qual desejava escrever?
José Matos: Sim, há vários anos que o tema da Mar Verde me interessa e escrevi um livro sobre o assunto em 2021 com outra pessoa, mas acho que esse livro passou despercebido. Saiu numa pequena editora e teve pouca visibilidade. Mas, nessa altura, fiquei motivado para pesquisar mais a fundo. Não era fácil encontrar mais pormenores, pois nos arquivos portugueses não há grande documentação sobre a Mar Verde e alguns dos protagonistas já morreram ou não querem falar. Mas eu sabia que era possível recolher mais informação e foi isso que tentei fazer nos últimos anos, com o objetivo de publicar uma nova edição do livro com mais novidades, o que aconteceu agora na Guerra e Paz.
Sobre a operação haverá episódios ainda por perceber ou está tudo esclarecido?
Eu diria que está tudo esclarecido. Sabemos as motivações, como é que a operação foi executada e quais foram as consequências de invadir um país estrangeiro. A ideia principal da operação era executar um golpe de Estado na Guiné-Conacri, mas esse objetivo não foi atingido.
Quer dizer que a operação falhou?
Falhou em parte, noutra parte não falhou. Havia também a intenção de resgatar prisioneiros de guerra portugueses que estavam em Conacri e, nessa parte, foi bem sucedida. Também conseguiram destruir os barcos inimigos que estavam no porto de Conacri, outro sucesso. No entanto, na parte de derrubar o regime, as coisas não correram bem.
O que é que correu mal?
Não conseguiram encontrar o presidente da Guiné-Conacri, Sékou Touré. Quando as tropas portuguesas chegaram ao palácio presidencial, Sékou Touré já tinha fugido. Outra coisa que não correu bem foi a destruição dos caças MiG no aeroporto de Conacri. Quando os portugueses lá chegaram, viram que os aviões não estavam lá, tinham sido deslocados para uma outra cidade, uns dias antes.
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