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Carrinha dos sorrisos leva alegria a séniores das freguesias de Estarreja

Com sorrisos e bicicletas adaptadas, a iniciativa resulta de uma parceria entre a Câmara de Estarreja e a Associação Mais Feliz

A carrinha dos sorrisos chegou cedo ao largo da Junta de Freguesia de Avanca, para uma sessão de risoterapia para idosos, desta feita com um atrelado onde transporta duas bicicletas “especiais”.

Aos poucos vão chegando viaturas dos lares e vai-se aproximando gente curiosa, observando uma logística nada fácil quando se trata de pessoas com mobilidade reduzida.

À medida que vão saindo das viaturas, os idosos são dispostos pelos bancos de jardim uns, outros nas cadeiras de rodas, formando uma ala em frente, numa alameda fechada nos topos por cadeiras de escola, entre a majestosa Igreja matriz e a modesta capelinha.

Mais ou menos idosos, homens e mulheres aguardam, uns de olhar distante, outros vivamente interessados em seguir todos os movimentos de mais um que se acomoda entre canadianas e cadeiras de rodas, outros ainda distraídos pelo movimento de carros e camiões que passam na estrada próxima.

Nem todos se conhecem porque são de lares e unidades diferentes, mas nota-se na maioria a excitação do momento, de conhecer caras novas, de conviver.

“É uma iniciativa muito simpática”, classifica Joaquim Silva, que está numa unidade de cuidados continuados e ali se dispõe a participar numa atividade “importante para a união” e a “demonstração de afeto mútuo”.

Com sorrisos e bicicletas adaptadas, a iniciativa resulta de uma parceria entre a Câmara de Estarreja e a Associação Mais Feliz e insere-se no Festival Sénior que visa combater a solidão e o isolamento.

“Apesar de terem família, temos idosos que passam longos períodos do dia sozinhos”, comenta Isabel Simões Pinto, presidente da Câmara Municipal, destacando que um levantamento feito em articulação com a rede social e a GNR identificou mais de 100 idosos em Estarreja que vivem nessa situação.

A autarca sublinha que o projeto é um “excelente instrumento para trabalhar aspetos fundamentais da saúde mental” dessa população e garante que a iniciativa, inserida no Plano Municipal de Envelhecimento Ativo e Saudável, é para replicar em todas as freguesias do concelho.

Fernando Batista, da Associação Mais Feliz, salta para o meio da improvisada alameda e desafia as técnicas presentes a fazerem o mesmo. O objetivo é olhar olhos nos olhos e distribuir gargalhadas, desafio logo aceite por uma idosa bem-humorada: “vem cá ver as minhas cataratas…”.

Há quem ria logo, há quem sorria, há também quem mantenha o rosto fechado e aparente não estar ali, mas a expressão vai cedendo como por contágio e os olhos animam-se.

Fernando Batista explica que a metodologia assenta na risoterapia para o desbloqueio físico e mental: “o riso, mesmo o simulado, ajuda a 'desligar' o pensamento excessivo, diminuir a perceção da dor e promover o relaxamento”.

De volta àquele espaço, Fernando Batista desafia agora os presentes a articular gargalhadas com palmas e, como por magia, as palmas são cada vez mais, os braços esquecidos no colo fazem o esforço de aplaudir e o sorriso envergonhado dá lugar ao gozo da gargalhada.

Satisfeito com o resultado, Fernando distribui narizes vermelhos de palhaço, bem aceites perante o ambiente divertido que se criou, e avança para as bicicletas com a ajuda de um voluntário, colaborador da Associação.

A inovação no projeto reside na utilização de bicicletas especiais, que podem transportar tanto pessoas em cadeira de rodas, como utentes com mobilidade normal. 

“A experiência de sentir o vento no rosto e as memórias da juventude geram sentimentos de felicidade rapidamente”, diz à Lusa.

Depressa a disposição das cadeiras é alterada para dar lugar a uma pista, onde Fernando Batista e o colaborador pedalam a transportar a assistência à vez, com a ajuda de bateria auxiliar para vencer a inclinação.

O entusiasmo é notório e as duas bicicletas não param para cima e para baixo, uma delas adaptada para acoplar cadeira de rodas: “já não andava de bicicleta há tanto tempo…”, ouve-se.

Joaquim Silva, que foi incentivando as vizinhas do banco de jardim a embarcarem na aventura, reserva-se para o fim, enquanto Cândida Malafaia, nos seus 83 anos, já não quer arriscar.

Confessa à Lusa que não alinha por medo, pois deu uma queda quando era nova e jurou “para nunca mais”, mas que adorou a atividade porque foi um momento “muito agradável” e que a fez “rir muito”.

Joaquim Silva é mais corajoso: tem uma prótese numa perna, esteve a ver como era com os outros, e lá se decidiu, sentando-se na bicicleta com o apoio das técnicas. 

Patrícia Bastos e Vânia Cabral, dos lares Egas Moniz e do Centro Paroquial de Santa Marinha também se divertiram, participando nas brincadeiras e incansáveis na ajuda a acomodar os utentes nas bicicletas.

Destacam a importância do estímulo do riso, o convívio e a socialização entre os utentes de diferentes instituições que a iniciativa proporcionou. 

“O simples ato de sair de casa já é um benefício, mas uma atividade diferente e divertida torna a experiência ainda mais valiosa”, comentam.

Setembro 24, 2025 . 17:33

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