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Maria Leonor casou há 70 anos com o “rapaz do talho”

Casal cruzou olhares num talho, no Barreiro, onde Fernando trabalhava, e foi amor à primeira vista. No passado dia 12, celebrou sete décadas de enlace matrimonial

Maria Leonor e Fernando Alves estão casados há 70 anos, o equivalente - imagine-se - a 25.567 dias e a 613.200 horas. Mas, estando e conversando com eles, nem que seja por uns minutinhos, até parece que “deram o nó” ontem. Passadas todas estas décadas, o amor continua ali, bem presente nos olhares, nas palavras e nos gestos. Trata-se de um caso de “amor para a vida toda”.
Ambos oriundos de aldeias do concelho de São Pedro do Sul (ela natural de Santa Cruz da Trapa e ele de Travanca), conheceram-se há quase 73 anos, a uns valentes quilómetros de distância, no Barreiro, em Setúbal, para onde um dia migraram à procura de uma vida melhor.
Até então, Fernando, na altura a viver com a avó em Pinho (outra aldeia de São Pedro do Sul), trabalhava no pinhal como resineiro. Maria Leonor ainda só tinha «9 anitos» e foi ter com a mãe, «que andava na seca do bacalhau». «Estive em Lisboa dos 10 aos 16 anos», recorda, «e, depois, fui para o Barreiro».
A nossa reportagem conversou com eles poucos dias depois de terem celebrado as “Bodas de Vinho”, com a família, que não para de crescer. Presentemente, têm dois filhos, quatro netos e três bisnetos (o mais velho já com 10 anos).

Só podiam namorar em certos dias
À hora combinada, lá estavam eles na sala de estar de casa, em Oliveira de Azeméis, cidade onde vivem há quase meio século. Tinham acabado de almoçar “Frango à Brás” e encontravam-se com o filho mais novo, o genro e, claro, a “Mimi”, a cadela com um olhar terno e atento às visitas, que não parava quieta, sempre a andar de um lado para o outro e que, volta e meia, ladrava como que a lembrar que também estava ali.
Sempre tiveram cães. «Mes­mo quando estivemos em Angola, tivemos. Tínhamos para aí uns cinco ou seis cães», lembra Maria Leonor, que, tal como o marido, tinha adiado a hora da sesta, que costumam fazer depois do almoço, para nos receber.
Maria Leonor, de 89 anos, e Fernando, de 94, abriram-nos as portas de casa, mas também do “livro” das suas longas vidas. Ambos nascidos em abril e no município de São Pedro do Sul, curiosamente, não foi por aquelas paragens que se viram pela primeira vez.
O destino quis, antes, que trocassem o primeiro olhar no Barreiro, no Talho 1.º de Dezembro, onde Fernando era talhante (antes, também naquela então vila do distrito de Setúbal, já tinha andado a «guardar gado»).
Quando o casal se conheceu, Maria Leonor «ia fazer 17 anos». Foi Fernando, na altura com 22 anos, que a atendeu no talho.

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Setembro 23, 2025 . 09:45

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