
“Em tempo real”, o álbum que revela uma Susie Filipe «inteira»
Com a duração aproximada de 60 minutos, a atriz e baterista apresenta-se pela primeira vez enquanto cantora e compositora, com recurso a guitarra, piano e bateria, num espetáculo onde a música, a poesia e o teatro vivem em tempo real.
Ao Diário de Aveiro, Susie Filipe partilhou que «chegou um momento em que senti que tinha canções que só faziam sentido se fossem apresentadas na minha própria voz, no meu próprio corpo. Não se tratou de abandonar o coletivo, mas de ouvir a urgência de criar um espaço totalmente meu», prometendo um «concerto íntimo e intenso. Quero que seja uma partilha próxima, quase como abrir a porta da minha sala e deixar o público entrar no coração das canções»
Acompanhada por músicos «amigos e cúmplices», avança com o nome de Irene Di Dio, «uma cantora incrível, com quem tenho o privilégio de dividir o palco. A sua voz e presença acrescentam profundidade e delicadeza à música que faremos juntas», a que se junta Hugo Gomes, «guitarrista e músico aveirense que trará uma aura jazzística ao concerto».
Embora o alinhamento do concerto esteja “colado” ao álbum “Em tempo real”, também será dado espaço a «homenagens e diálogos com outras músicas que me marcaram, incluindo canções de autores portugueses que admiro e músicas dos meus outros projetos artísticos», afirmou.
Como ela própria afirma, a poesia estará presente neste concerto, «na forma como as canções respiram, no silêncio entre os acordes, na maneira como as palavras são ditas. Para mim, a poesia é uma linguagem transversal que não fica limitada ao texto», convidando todos a marcarem presença hoje à noite, com bilhetes ainda disponíveis, a 5 euros.
Autonomia e coragem
Relativamente ao álbum, é composto por dez canções, «cada uma com uma identidade própria, mas que dialogam entre si como capítulos de um mesmo livro», acrescentando que «é um disco sobre presença, sobre estar desperto para a vida tal como ela se apresenta». Trata-se de um projeto musical que, segundo a música, «acrescenta-me autonomia e coragem. Obriga-me a estar inteira, sem rede, e isso fortalece a minha identidade» e isso reflete-se nos concertos que já aconteceram a “reboque” deste álbum, todos muito especiais, «em cada lugar encontrei públicos diferentes, mas sempre recetivos. Foi bonito perceber que as canções conseguem criar ligações novas em cada contexto». Mas, cantar em Aveiro muda muita coisa… «sinto-me a cantar para vizinhos, amigos, família. É um concerto onde a intimidade cresce ainda mais, porque as raízes estão mesmo ali, à flor












