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Encontrámos Carlos e Patrícia Valente, ontem de manhã, no Museu Fábrica da História - Arroz a iniciar o recém-inaugurado Percurso Sonoro e Emotivo. O casal, oriundo de Canelas, não pôde participar na visita emotiva inaugural do dia anterior, mas não quis deixar de fazer esta «viagem pelos ecos de um lugar [da antiga “Hidro-
-Eléctrica” de Estarreja - Fábrica de Descasque de Arroz] onde o tempo ainda sussurra». Ainda mais quando os dois figuram entre os poucos orizicultores que, presentemente, labutam no «único concelho do distrito de Aveiro onde se produz arroz». No município de Estarreja há mais pessoas a cultivarem o cereal para consumo próprio, mas os que o fazem, também, para venda ao público são só três (dois produtores particulares e a Junta de Freguesia de Salreu).
Patrícia Valente, de 48 anos, dedica-se única e exclusivamente à cultura do arroz. O marido, dois anos mais novo, tem outra profissão, que acumula com a orizicultura. «Isto já vem de família», contou à nossa reportagem Carlos Valente, concretizando: «Quando o meu pai quis deixar de produzir agarrei nos terrenos e continuei eu a produzir, tendo acabado por aumentar a área para criar melhores condições de produção». Ele e a mulher já andam nestas lides há 16 anos. Inicialmente, produziam «apenas para consumo próprio», mas como o que produziam já começava a ser demasiado para eles, começaram a «vender em “feirinhas e mercados». Com o passar do tempo, passaram também a vender porta a porta e agora têm, igualmente, o seu Arroz de Canelas D’ Jardim (a sua marca de arroz “premium” e artesanal), certificado há três anos, «à venda em alguns pontos onde fornecemos mensalmente».
A título de curiosidade, este casal partilhou que, ao longo destas quase duas décadas de labuta, «o melhor ano que tivemos [até hoje] foi 22 toneladas». «Mas a nossa área [10 hectares, em Canelas e Salreu]», sublinhou, «dá para produzir 50 toneladas».
Carlos e Patrícia Valente têm um filho de 19 anos, estudante de Engenharia Computacional na Universidade de Aveiro, que «já ajuda e gosta de nos acompanhar». Mas, para já, «ainda é cedo para dizer se ele vai ou não dar continuidade a esta tradição familiar», disseram.
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