
Maus-tratos a menores é um problema de todos
Em 2023, «as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) [do país] movimentaram 84.196 processos de promoção e proteção», com «as comunicações de situações de perigo nas CPCJ a serem lideradas por “Negligência” e “Violência Doméstica”». Ainda no mesmo ano, «as autoridades policiais registaram 2.997 crimes contra menores», sendo «os mais frequentes» os de «abuso sexual (976 participações) e violência doméstica (964)».
Já em 2024, «13.373 crianças e jovens precisaram de uma medida de promoção e proteção (CPCJ), maioritariamente por negligência e violência doméstica». Estes dados são públicos, constando dos relatórios anuais de avaliação da atividade das CPCJ, entre outras fontes, e estão disponíveis para quem quiser “ver com olhos [mesmo] de ver”, indo contra os que preferem continuar a “assobiar para o lado”, como se os maus-tratos a menores não fossem um problema de todos.
Esta é a “verdade nua e crua”, que muitos ainda teimam em ignorar, ao ponto de, só ao fim de «12 quilómetros, alguém ter reparado naquela criança». «Veja só a quantidade de pessoas que terá passado por ela e só houve uma que, efetivamente, percebeu que havia ali qualquer coisa que não estava bem», disse ao nosso jornal a presidente da recém-criada Associação Diz Não ao Abuso (DNAA). Carla Ferreira referia-
-se ao recente caso de um menino de 12 anos que foi encontrado por um cidadão a deambular, descalço e sozinho, na EN 235, na zona de Aradas, que tanta tinta tem feito correr nos últimos dias.
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