
Há uma nova luz na cultura de Ílhavo
Rua Cimo de Vila, número 156: é aqui que tudo começa. Hoje, às 21.30 horas, Emanuel Graça, David Calão, Luís Vieira, João Calisto, Tiago Worp e José Calisto acendem uma nova luz.
Luz: haverá talvez poucas palavras que exprimam tão bem o desabrochar de alguma coisa a começar, a abrir caminho, a romper pelo meio da escuridão ou pelo meio de lugares que já têm uma luz, mas uma luz diferente.
A gambiarra, uma extensão elétrica de fio comprido, é uma das geradoras dessa magia do brilho a expandir-se. «Permite levar a luz a sítios afastados e pouco iluminados. Era um instrumento muito usado no campo, quando, por exemplo, era necessário trabalhar à noite e não havia visibilidade no local a operar. Há algo romântico nisso», diz Emanuel Graça. A escolha do nome para o novo projeto deriva dessa leitura mas também do próprio poder fonético da palavra “gambiarra”, explica.
A primeira atividade do grupo está marcada para hoje na Confraria Camoniana: a exibição ao ar livre do filme “O Raio Verde”, do francês Eric Rohmer, por escolha de João Calisto. Mas o Gambiarra é uma entidade com uma forma em permanente configuração. «Pretendemos sobretudo que o Gambiarra não tenha um âmbito fechado, que a sua atividade seja sempre a tradução das vontades que lhe dão corpo», comenta David Calão. «Não existe um programa, uma programação, um manifesto. O primeiro impulso foi uma sessão de cinema ao ar livre. Depois olharemos para o futuro».
A ideia surgiu entre amigos. «Antes sequer de sabermos naquilo que iriam assentar as bases do Gambiarra», assume Emanuel, «já se falava sobre ele e sobre eventos que tínhamos vontade de fazer acontecer». Mas existe algo de despretensioso no projeto, não há desígnios exorbitantes. «Não viemos salvar nem colmatar nada, apenas remediar algumas horas da nossa vida», resume David. Acrescenta: «O nosso lugar é apenas o de quem não vê as atividades culturais como bens de consumo, de procura e oferta, mas de criação e auto-criação. Qualquer atividade que o Gambiarra pense ou desenvolva assentará neste princípio. Somos, acima de tudo, um coletivo de vontades itinerante».
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