
O GrETUA não pára, mesmo quando pára
Ver sanitas na rua, ao ar livre, é o mesmo que ver focas na savana. Não é o habitat delas. Porém, é isso que encontro à porta do GrETUA - Grupo Experimental de Teatro da Universidade de Aveiro num dia em que vou falar com o seu diretor artístico. Em mensagens trocadas uns dias antes, João Garcia Neto tinha-me escrito: «há mesmo muito trabalho a acontecer». Quando chego ao pavilhão e vejo uma carrinha de caixa aberta cheia de entulho, homens atarefados e sanitas na rua, percebo o que ele queria dizer.
Está um calor opressivo, como se estivéssemos em Évora ou em Bragança. Para nós, aveirenses, mais de 25 graus é como estar dentro de uma torradeira. Não admira, por isso, que ao chegar ao GrETUA, com os altos muros da prisão à minha direita, João, um homem alto e magro, de óculos e barba espessa, venha ao meu encontro envergando t-shirt e calções.
A pausa na programação, em agosto, é aproveitada para o trabalho invisível. Uma empresa contratada está a renovar os sanitários e a copa, numa parceria de esforços entre o grupo de teatro, a associação académica e a universidade. O átrio do GrETUA, habitualmente cheio de gente a beber minis enquanto espera pelos espetáculos, é agora um estaleiro de obras. «Era um objetivo antigo», explica João.
Mas há mais coisas a acontecer.
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