
Murtosa encerra a Semana do Emigrante a pedalar
De 27 de julho a 3 de agosto a Murtosa voltou a encher-se de vida com mais uma edição da Semana do Emigrante, uma iniciativa do município que, ano após ano, presta homenagem a todos os murtoseiros que, vivendo longe, regressam no verão para reencontrar a família, os amigos e as suas raízes.
O programa, diversificado e recheado de tradição, incluiu momentos culturais, sociais e identitários: desde regatas de bateiras à vela e de barcos moliceiros e a Feira Franca, passando pelo Festival de Folclore da Beira-Ria, pelas tasquinhas no Cais do Bico, pela apresentação do livro “Noite de São Paio”, de Cecília Rezende e pela missa de ação de graças. Houve também espaço para homenagens especiais, como a evocação do centenário do nascimento do General Ferreira Valente.
O presidente da Câmara Municipal da Murtosa, Januário Cunha, fez questão de sublinhar que «todas as iniciativas foram muito participadas e o objetivo de homenagear os nossos emigrantes foi plenamente cumprido», sendo que para o autarca, «esta semana é mais do que um evento: é um reencontro com a identidade coletiva e uma oportunidade de reforçar os laços entre os que cá vivem e os que partem, mas nunca deixam de ser da Murtosa», salientou.
Unir a comunidade a volta do concelho
Embora o programa oficial tenha terminado a 3 de agosto, a festa prolongou-se até ontem, para receber um dos momentos mais aguardados: o Convívio Cicloturístico dos Emigrantes. Um passeio de bicicleta de cerca 18 quilómetros, com partida junto ao Monumento ao Emigrante e percorrendo as zonas ribeirinhas da ria. Houve, ainda, uma paragem no COMUR – Museu Municipal, para lanche e visita, e terminou com um piquenique partilhado na Ribeira de Pardelhas.
Januário Cunha realçou o valor simbólico desta tradição. «É uma forma de juntar conterrâneos que estão espalhados pelo mundo, seja nos Estados Unidos, no Canadá, em França, na Alemanha... à volta de um elemento identitário da Murtosa: a bicicleta. Muitos vêm para pedalar, mas há muitos outros que aparecem apenas para o almoço, porque o mais importante é o reencontro e a partilha», comentou.
Uma iniciativa com legado
A origem deste convívio remonta a quase três décadas e tem nome próprio: Agostinho Vagueiro. Foi ele quem, como emigrante e amante do cicloturismo, decidiu unir amigos e familiares num passeio descontraído que terminava sempre à mesa. Hoje, o legado é mantido pela sua família, com especial destaque para a neta, Vanessa Vagueiro, que integra a organização.
Visivelmente emocionada, a neta do reconhecido elemento da comunidade murtoense destacou o valor desta iniciativa. «Tenho muito orgulho e sinto-me emocionada por continuar o que o meu avô começou. É uma tradição que queremos manter viva para a nossa geração e para as próximas. É uma forma de passarmos aos mais novos o gosto pelo convívio e pelas raízes da Murtosa», apontou.
Este ano, cerca de 60 ciclistas alinharam para a partida, mas o piquenique final reuniu perto de uma centena de pessoas, num ambiente de grande confraternização. Entre pedaladas, conversas e abraços, a ria serviu de cenário a um encontro que tem tanto de desportivo como de afetivo.
Para o presidente da Câmara, este momento «não é apenas um passeio de bicicleta; é uma ponte simbólica que liga os que estão longe à sua terra», no entanto acrescentou, «enquanto houver quem volte, enquanto houver vontade de se reunirem, esta tradição vai continuar», garantiu.











