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Trabalhadores sem salário nem documentos para fundo de desemprego

Empresa de Arouca declara insolvência, mas falha nas obrigações legais com os trabalhadores, que continuam à porta das instalações à espera de respostas

Mais de 40 trabalhadores da empresa de calçado de Arouca estão a viver uma situação de grave instabilidade laboral. Desde segunda-feira que os funcionários estão sem receber o salário de julho, sem subsídio de férias e, mais preocupante ainda, sem acesso à documentação necessária para requerer o subsídio de desemprego.

Segundo informações apuradas, a empresa comunicou, na segunda-feira, que se encontra em processo de insolvência, alegando dificuldades financeiras agravadas por uma penhora da Segurança Social. Segundo relatos dos trabalhadores e do Sindicato do Calçado, esta situação resultou na completa paralisação da atividade da empresa e na ausência de qualquer solução para os trabalhadores.

«A empresa anunciou o encerramento e a entrada no processo de insolvência, mas não despediu os trabalhadores, nem lhes forneceu os documentos essenciais para se inscreverem nos centros de emprego», denunciou Fernanda Moreira, presidente do Sindicato do Calçado, em declarações ao Diário de Aveiro. «Isto significa que estão sem salário, sem subsídio e sem qualquer apoio. Estão completamente desamparados», apontou.

O sindicato considera inaceitável que a empresa tenha optado por um caminho que deixa os trabalhadores sem qualquer tipo de proteção. «Antes de avançar para a insolvência, a empresa poderia e deveria ter feito os despedimentos legais e entregue os documentos. Não o fez, empurrou a responsabilidade para um administrador de insolvência que ainda nem foi nomeado», reforça Fernanda Moreira.

Na quarta-feira, representantes do sindicato reuniram-se com a administração da Controlfactor, mas a situação permanece sem resolução. Os trabalhadores mantêm-se à porta da fábrica, impedindo a saída de material ou equipamento da empresa, numa tentativa de garantir alguma segurança, perante o “vazio” institucional em que se encontram.

Fernanda Moreira também alertou para o impacto do período de férias judiciais, que poderá atrasar, ainda mais, a nomeação de um administrador de insolvência e a emissão dos documentos necessários para o acesso ao apoio social. «Estamos a falar de pessoas que, além de não receberem, não têm garantia de quando vão poder inscrever-se no centro de emprego. Estão sem rendimentos e sem perspetivas, numa altura em que os encargos continuam a somar-se», lamenta e exige uma intervenção urgente das autoridades competentes.

En quanto isso, os 40 trabalhadores mantêm-se à porta da fábrica.

Agosto 8, 2025 . 10:00

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