
Pedro Albuquerque apresenta “Contos manhosos”
Sandra Simões
Nascido em Aveiro, desde cedo que Pedro Albuquerque mostrou um gosto especial pelo relato de histórias. Ainda não sabia escrever e já tinha vontade de registar pensamentos, “recrutando” os familiares para o fazerem. Quando aprendeu a ler e escrever, já na escola, descobre a poesia e a declamação, que nunca mais conseguiu largar, além de uma grande vontade de “devorar” livros.
Quis o destino que a sua formação académica acontecesse na área da Engenharia e Design de Produto, na Universidade de Aveiro, chegou, mesmo, a trabalhar alguns anos nessa área, mas a ligação às palavras falou mais alto. Foi durante a pandemia, provocada pelo COVID19, em especial nos confinamentos, que Pedro Albuquerque encontra o ecossistema perfeito para se dedicar à escrita a 100 por cento. Desse período criativo nasce o seu primeiro livro “ExTratos Dramáticos”, de poesia, com prefácio de Pedro Branco e homenagens a Sophia de Melo Breyner, José Mário Branco e Caetano Veloso.
Entretanto, o compêndio de poesia e prosas poéticas, que havia escrito quase dez anos antes, foi nomeado “Livro de Poesia do Ano” - Prémio Cordel de Prata. Seguiu-se o Prémio de Poesia na Corda 2023, de São João da Madeira, a que se somam digressões nacionais, presenças em feiras do livro e festivais literários, sem esquecer palestras em escolas tendo os livros como ponto central, e inúmeras publicações em jornais, revistas e antologias, em vários países.
Estava, definitivamente, traçado o seu futuro: escrever. Uma “tarefa” a que se dedica, atualmente, em exclusivo e o que considerou «algo arriscado», mas que «faz todo o sentido para mim». Em entrevista ao Diário de Aveiro, o jovem escritor, com 33 anos, mostrou-se feliz com o seu novo livro, que tem honras de apresentação na Feira do Livro de Aveiro, este sábado, pelas 19 horas. “Contos Manhosos e Outras Histórias” representa, a seu ver, «um avanço na minha escrita e a redescoberta do meu amor e ligação a África», onde os pais viveram vários anos. Com prefácio de Bonga Kwenda e uma emotiva homenagem a Mia Couto, o livro inclui passagens em Cabo Verde, uma história com Elza Soares e apontamentos autobiográficos. «É o meu primeiro livro de contos e gostei muito de o escrever», estando já o número dois a ser preparado. «Escrevo sem esforço», afirmou, como se «tivesse de o fazer», reconhecendo que «não foi fácil escolher estes 22 contos, de um total de 70 que escrevi». Quanto a temas presentes, refere «a ganância, ciúme, inveja, liberdade de expressão, desigualdade, o amor à escrita… temas muito reais, presentes na vida das pessoas e com os quais se vão identificar».
Na sessão de sábado, além da Editora, Kotter, se fazer representar, estará presente Cátia Nascimento para algumas leituras e o autor. |












