
«A cultura da bicicleta está impregnada» na Murtosa
O que têm em comum Tomás Tavares, de 16 anos, Pedro Leite, de 52, e Rosa Paiva, de 55? Os três frequentam, com diferentes papéis, a Escola Padre António Morais da Fonseca, na Murtosa; e os três deslocam-se, sempre que podem, para o seu local de estudo e de trabalho de bicicleta.
Passado o portão principal do estabelecimento de ensino, situado no centro da povoação, perto dos bombeiros, do museu COMUR ou das piscinas municipais, vê-se algo que não se vê na maioria das outras escolas: dezenas e dezenas de bicicletas estacionadas no recreio – ora encostadas ao gradeamento exterior ou aos muretes ora com os pneus da frente entalados nos suportes destinados ao aparcamento destas viaturas de duas rodas. Começamos a contar: uma, duas, três, dez, vinte. Paramos nas 23 – há ainda muitas para contabilizar, é um exercício demasiado cansativo. O cenário remete para os Países Baixos ou a Dinamarca, onde a bicicleta é um meio de transporte universal.
Não é por acaso que a Murtosa é conhecida pelo uso da bicicleta – não só em eventos pontuais ou em passeios de fim-de-semana; também para as tarefas do quotidiano, como ir para o trabalho, às compras ou ao cemitério. O concelho, todos reconhecem, tem um conjunto de características que tornam fácil dispensar o automóvel para muitas das deslocações diárias. É completamente plano – numa Volta à Murtosa em Bicicleta o prémio de montanha não seria atribuído; nada fica demasiado longe - quase como se fosse um bairro grande de uma cidade. Por outro lado, o uso da bicicleta é um costume ancestral. «É algo cultural, enraizado», diz Pedro Leite, professor de Educação Física e membro da direção do Agrupamento de Escolas da Murtosa.
É por isso, assinala, que a escola não precisa de lançar campanhas que incentivem ao uso da bicicleta. «Não temos nenhum projeto específico. Simplesmente deixamo-nos envolver».
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