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“Hamlet” viaja do século XVII à contemporaneidade

Com encenação de Nuno Cardoso e elenco do Teatro Nacional São João, o clássico de Shakespeare chega ao Teatro Aveirense dias 30 e 31

Os tempos modernos à luz da obra que mais literatura gerou depois da Bíblia. É esta a proposta de Nuno Cardoso ao levar à cena “Hamlet”, de William Shakespeare, que chega ao Teatro Aveirense dias 30 e 31, às 21 horas.
Depois da estreia em abril, no Porto, o olhar de Nuno Cardoso sobre um texto fundamental da dramaturgia universal aborda muitas das questões que o texto originalmente levanta e que ainda hoje, 400 anos depois, continua a dividir opiniões e interpretações.
Será que Hamlet está a fingir a sua loucura, será que esteve genuinamente apaixonado por Ofélia... estas são apenas algumas das dúvidas que têm atravessado leitores e espetadores ao longo dos tempos. Para esta peça, Nuno Cardoso avançou ao Diário de Aveiro que respeita o texto original, mas não resistiu a introduzir-lhe alguns detalhes, que têm tanto de arrojados, como de provocadores, até a roçarem o sentido de humor. Um exemplo é a substituição do duelo final com espadas por um duelo de beijos entre os personagens, num claro apelo à não violência.

Humor que faz rir
e dá que pensar
A presença de humor ao longo da peça, dito ou representado, também não passa despercebida aos espetadores, que não poupam gargalhadas e nem se apercebem que “Hamlet” encenada por Nuno Cardoso dura mais de três horas.
«Não será muito tempo?» «Não!», garante o encenador, «pela reação do público e tendo em conta o texto que é, não me parece excessivo. Quero acreditar que é o tempo necessário e justo. Passa a correr», garantiu, tal como a ação em palco, protagonizada por 11 atores.

Consumo de cultura... sempre!
Com indicação para maiores de 14 anos, o encenador aceita, mas vai defendendo que qualquer contacto com qualquer forma de arte é válido para qualquer idade, «seja um livro, uma peça de teatro, um espetáculo de dança ou uma exposição... acrescenta sempre algo a quem consome. Mesmo que não entendam na totalidade, fica sempre qualquer coisa, nem que seja a curiosidade de irem saber mais sobre o texto ou o seu autor». A seu ver, a duração e a complexidade do texto que exige alguma maturidade emocional terão estado na base desta classificação.

Um projeto coletivo onde todos contam
De acordo com a sinopse do espetáculo, «a história do Príncipe da Dinamarca é a história da nossa vacilação face a essa pergunta primordial: “Quem sou?”. Hamlet é o arquétipo da literatura ocidental sobre a consciência humana. O desejo de vingança, o engano e a duplicação (a peça dentro da peça) não escondem um vazio que corrói este Príncipe», e é à inquirição da cegueira de si, patologia dos tempos modernos, que Nuno Cardoso se lança, nesta sua sexta incursão pelo universo do dramaturgo inglês.
Muito satisfeito com a reação do público a “Hamlet”, realça que «este é um projeto coletivo. Todos contam, todos acrescentam valor, todos são importantes», sejam os 11 atores em palco, seja a música de Pedro “Peixe” Cardoso, dos Ornatos Violeta, os figurinos de Nelson Vieira, a cenografia de F. Ribeiro ou o vídeo de Luís Porto.
Este é um espetáculo do Teatro Nacional São João realizado em coprodução com o Teatro Aveirense, que tem bilhetes disponíveis para as duas sessões a 10 euros.
Depois de Aveiro, a peça de teatro “Hamlet” segue para Faro.

Maio 28, 2025 . 09:00

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