
Das conversas privadas à falta de documentos
Três dias depois da polémica das conversas privadas tornadas públicas durante a emissão “online”, de acesso livre, da reunião da Assembleia Municipal de Ílhavo, devido a um microfone inadvertidamente ligado, na passada sexta-feira, há uma nova controvérsia entre aquele órgão e a câmara. As questões envolvem João Campolargo, presidente da câmara, do movimento independente Unir para Fazer (UpF) e, pelo menos, num caso, o presidente da Mesa da Assembleia, Paulo Pinto (PSD). Após um fim de semana a conhecer o que tinha acontecido na assembleia, ou seja, os momentos em que se ouviram conversas privadas na emissão “online”, na conta do município no Facebook - o assunto foi muito partilhado nas redes sociais - a câmara municipal difundiu ontem um comunicado relativo a documentos que devem acompanhar os pontos da agenda daquela reunião da assembleia. A seguir às conversas privadas (a que o Diário de Aveiro se referiu, ontem, em artigos publicados na edição em papel, no “site” e redes sociais), a reunião da assembleia continuou e as bancadas do PSD e PS denunciaram a falta de documentos.
Ninguém assume falha
O presidente da Mesa da Assembleia responsabilizou a Câmara por essa falta, mas João Campolargo não assume a falha e respondeu que a câmara enviou «toda a documentação» para a Assembleia. Mas, no fim foi decidido adiar o debate e votação para a próxima sexta-feira, ainda sem qualquer entendimento entre câmara e Assembleia. João Campolargo disse que a câmara enviou os documentos para a Assembleia, mas Paulo Pinto disse que não teve conhecimento, acrescentando que os documentos não passam pela Mesa da Assembleia mas, sim, fazem um circuito entre os serviços da câmara e o “núcleo de apoio” da Assembleia. Paulo Pinto admitiu que este “núcleo” pode estar a «incorrer no erro».
A Câmara voltou ontem ao assunto, em comunicado, acusando o presidente da Mesa de «dirimir-se das suas responsabilidades, colocando em causa o bom trabalho prestado pelo “núcleo de apoio”», reforçando que «internamente, toda a documentação foi devidamente remetida aos serviços do núcleo de apoio, que bem os rececionou e que os tinha em sua posse». O “núcleo de apoio” é constituído por uma funcionária dos serviços municipais que segue «indicações do Sr. Presidente da Mesa da Assembleia Municipal, responsável pela gestão da documentação e funcionamento desse núcleo». Se faltam documentos, Paulo Pinto deve solicitá-los e «comunicar à Assembleia, caso exista recusa por parte da Câmara Municipal no fornecimento de documentação, sendo que nenhuma das situações ocorreu».
Concluindo, a câmara «lamenta que a sua desresponsabilização (de Paulo Pinto) tenha colocado em causa, publicamente, a competência técnica de uma funcionária da autarquia».










